#coluna

Lize Borba e seu universo mágico de luz, câmera, ação!

Na coluna desta quinta-feira, 23, um papo incrível com a designer e diretora de arte Lize Borba.

Por: Rodrigo Domingos

17:16:00 - 23/04/2026

Lize Borba e seu universo mágico de luz, câmera, ação!

Compartilhe:

Na coluna desta quinta-feira, 23, um papo incrível com a designer e diretora de arte Lize Borba, grande destaque do audiovisual e da cenografia brasileira.

Lize, você é joinvilense, como foi se mudar definitivamente para São Paulo, você se adaptou fácil?

Me mudei com 20 anos, ainda no último ano da faculdade, e não foi nada fácil. Vim para trabalhar em uma gravadora do interior de São Paulo como designer de capas de disco e precisei transferir os estudos para cá, tive que construir novas relações, morar com pessoas desconhecidas e me adaptar a um lugar completamente diferente. Foi bastante desafiador, mas também me ajudou a evoluir muito na vida.

Conte-me um pouco sobre o início da sua trajetória, logo após você se formar em Design Gráfico e Cinema, sua trajetória na indústria musical, onde atuou por uma década em gravadoras desenvolvendo capas de álbuns, identidades visuais e cenografia para shows, essa literalmente inserção na cultura pop?

Eu fui estudando e trabalhando ao mesmo tempo, e a gravadora acabou sendo uma grande porta de entrada. Comecei a dirigir ensaios fotográficos das bandas, conheci artistas, fotógrafos e diretores, e isso foi expandindo meu repertório. Eu também tinha banda, então esse universo sempre esteve muito presente na minha vida. Aos poucos comecei a produzir videoclipes e, com a parceria da Universal Music, fui chamada para assinar direção de arte e cenografia de alguns shows. Como já estava estudando cinema, fui aprofundando esse caminho de forma mais consistente.

Ao longo de sua carreira, você expandiu sua atuação para o audiovisual, assinando direção de arte de videoclipes, campanhas publicitárias e longa-metragem, além de projetos autorais e experiências imersivas. Na publicidade, colaborou como diretora de arte com agências renomadas como Almap, África, GUT e DM9, o que você prefere dirigir filmes comerciais ou longa-metragem, qual a maior diferença no processo criativa e de produção no seu ver, entre a publicidade e o cinema?

Quando saí da gravadora e comecei a trabalhar como freelancer, abri meu estúdio, a Idealize, e isso ampliou muito minhas possibilidades. Fiz curtas, depois de uns anos meu primeiro longa, Meio Irmão, da diretora Eliane Coster, e mais recentemente Skull – A Máscara de Anhangá dirigida pelo Armando Fonseca e o Kapel Furman. Foram filmes de muito aprendizado para mim.

Publicidade e cinema são linguagens um pouco diferentes. O cinema tem um tempo mais longo, mais imersivo, exige uma construção mais profunda de narrativa e espaço da personagem. Já a publicidade é mais direta, mais rápida e muitas vezes mais estética, com um nível de acabamento muito alto, eu sempre brinco que na publicidade os objetos de cena não têm vivência, eles sempre parecem que acabaram de sair de uma loja, diferente do cinema que tudo tem um certo desgaste, uma história para contar.

Os processos criativos são parecidos, mas entre eles eu sempre gosto mais dos projetos em que consigo colocar algo pessoal, quando existe uma troca real com a direção, não apenas a execução de uma ideia, é muito mais divertido trabalhar.

Na sua opinião qual seu melhor trabalho no audiovisual e por quê?

É difícil escolher um só, mas tenho um carinho especial pelos videoclipes. Eles permitem uma liberdade maior na construção de linguagem e cenário, são espaços mais experimentais e autorais além de envolverem música. Também gosto muito de criar experiências imersivas, onde as pessoas vão estar presencialmente naquele cenário interativo, tenho me dedicado a isso ultimamente.

Você imaginou que uma garota do sul do Brasil iria trabalhar com grandes nomes como: Ivete Sangalo, Ludmilla, Anitta, Natiruts, Gloria Groove, Pabllo Vittar, Júnior, CPM22, Rosa de Saron e Luan Santana?

Eu sempre fui muito ligada à música. Tive bandas desde adolescente, tocava em Joinville - ali no Cais 90, lembra? - e sonhava em gravar um disco. Lembro de ouvir música no discman indo para a escola e imaginar os enquadramentos e os detalhes de como seriam aqueles videoclipes.Um amigo gravava os programas da MTV com clipes em VHS para mim, e eu ficava completamente imersa naquele universo.

Anos depois, me vi construindo um palco no The Town e aquilo foi muito marcante.Então, de certa forma, eu imaginava sim… mas não achava que seria realmente possível. A vida surpreende, a vida presta!

Para você em tempos de públicos-alvo tão diversos, uma geração z “meio perdida", uma geração Alfa, dominada por informações, o politicamente correto imperando, como é definido quais caminhos seguir em termos de estética visual, referências, paletas de cores, entre outras ações que devem ser tomadas por um diretor de arte, para que o resultado final seja alcançado?

Direção de arte é criar um universo visual, é decidir os objetos, a decoração, a cor da parede, os materiais que serão utilizados para construir aquele cenário e tudo o que ele significa naquela cena. Quando uma atriz segura uma colher na frente da câmera aquela colher em especial foi escolhida para estar ali, muitas vezes foi desenhada e produzida dependendo a importância daquele objeto para a cena.

Eu acho que hoje existe um excesso de informação em uma velocidade inalcançável, e isso pode dar essa sensação de que as gerações estão meio perdidas, mas ao mesmo tempo nunca tivemos tantas referências disponíveis e tanto acesso.Para mim, o caminho não é tentar seguir tendências ou agradar todos os públicos ao mesmo tempo. O lance é ser específico, criar algo com identidade própria. Quando o trabalho tem um conceito forte e uma linguagem bem definida, ele encontra seu público — independente da geração.

Você destaca-se na concepção de cenografia e criação de espaços e experiências, para grandes palcos e projetos imersivos, incluindo trabalhos no The Town e no Theatro Municipal de São Paulo, sendo este último parte de um projeto indicado ao Grammy Latino. Como é isso?

Acho que foi uma construção de muitos anos, eu coloquei um objetivo daquilo que eu queria e me dediquei muito mesmo. Direção de arte é um trabalho que exige muito interesse pelas coisas, você tem que ser curiosa. Então eu acho que é parte daquilo que eu gosto muito de fazer, descobrir coisas novas, desde criança eu inventava “cenários" um dia era uma casa na árvore no outro um carrinho de rolimã, eu estava sempre serrando e pregando coisas tentando entender como elas eram feitas.

É uma mistura de arte com arquitetura, com engenharia e um pouco de coragem. Muitas vezes eu não fazia ideia de como ia realizar aquela ideia, falava que sabia e depois corria atras para descobrir. Assim eu aprendi bastantes coisas novas e conheci muitas pessoas interessantes porque a arte não é um trabalho solitário, funciona em equipe e isso faz com que seja um constante aprendizado. Sou muito feliz pelas coisas que realizei e muito grata também pelas pessoas que surgiram no meu caminho e me fizeram realizar essas coisas.

A sua profissão exige coletividade para o resultado ser alcançado, como você vê isso, quem são teus grandes parceiros?

Penso que seria impossível fazer o meu trabalho sem ter uma equipe talentosa. Eu não tenho uma equipe fixa, até porque cada projeto demanda muitas atividades diferentes. São assistentes, produtoras de objetos, produtoras de arte, aderecistas, cenotécnicos, pintores, arquitetas, engenheiros, as equipes de arte geralmente são grandes. Seria muito difícil citar nomes aqui com o risco de esquecer alguém importante. Todos os times que eu monto são muito bem pensados. Sempre que posso, priorizo trabalhar com mulheres.

Em tempos de IA, o uso de tecnologias é parte essencial de seus processos criativos?

Com certeza. Eu já utilizo IA há alguns anos, principalmente como ferramenta de apoio. Não vejo como substituição, mas como uma forma de agilizar processos e ampliar possibilidades.Hoje eu já vejo como algo inevitável. O importante é saber usar a tecnologia de forma inteligente, sem perder a autoria que é o que de fato faz os projetos serem únicos.

Qual projeto mais te emocionou, que você para e pensa, nossa eu fiz isso?

Tenho um carinho especial por um curta do início da minha carreira, Nham Nham - A Criatura. É um filme infantil sobre um menino e seu amigo imaginário, um urso que desenvolvemos como efeito prático.Desde a criação do desenho 2D de como seria o Nham Nham até a execução do traje.

Na parte da cabeça usamos mecatrônica para dar movimento ao personagem, foi um processo muito rico e de muita experimentação. O filme circulou em festivais e ganhou o prêmio do Júri Popular em Florianópolis, foi um projeto muito especial que lembro até hoje.

Quem são suas referências na profissão?

Existem muitas profissionais incríveis nessa área e uma das que eu mais gosto é a Es Devlin, ela é uma artista britânica de grande referência pra mim, principalmente na criação de cenários de shows e experiências imersivas. No cinema gosto muito do Wes Anderson, do Almodóvar, dos trabalhos do James Price e da Shona Heath.

Também acho incrível a estética dos filmes da Sofia Coppola, e da Greta Gerwig e tenho como referência as diretoras de arte brasileiras Vera Hamburger e Carol Ozzi.

O que te inspira?

Descobrir novos universos. Eu adoro a ideia de saber muito sobre coisa pouca. Tudo tem uma estória por trás, sou fascinada por novos universos. Esses tempos fiz um filme que era sobre corrida de cavalos nos anos 30. Aquilo me pegou! Durante meses eu só falava nesse assunto, virei a chata do rolê.

Existe amor em SP?

Contradizendo o Criolo, eu diria que procurando bem tem sim!

E para encerrar, o que você espera do seu futuro profissional, pode adiantar o que vem por aí, os projetos na qual você está atualmente em processo de execução?

Eu venho me dedicando a projetos de expografia e experiências imersivas, que não são exatamente cenários para a filmagem, mas para sentir e estar. Tenho apostado agora em coisas mais presenciais, acho que a arquitetura efêmera está possibilitando novas interações das pessoas com mundos lúdicos e novos saberes.

Logotipo

Mais informações: @idealizeborba

Galeria de Imagens:

  • Nenhum conteúdo encontrado

#Veja também

Copyright © 2026 Ponto Norte Notícias

Desenvolvido por

Cayman Sistemas
Cookies personalizados

Necessários (2)

Cookies necessários são essenciais para o funcionamento do site, sem eles o site não funcionaria adequadamente. (Ex. acesso a áreas seguras do site, segurança, legislação)

 
Gerenciador de cookies
www.pontonortejoinville.com.br
 
Marketing (2)

Cookies de marketing, ou propaganda rastreiam a navegação dos visitantes e coletam dados a fim de que a empresa possa criar anúncios mais relevantes, de acordo com tal comportamento.

 
Facebook Pixel
DoubleClick
 
Estatísticas (1)

Cookies de estatísticas, ou analytics traduzem as interações dos visitantes em relatórios detalhados de comportamento, de maneira anonimizada.

 
Google Analytics
 

Aviso de cookies

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Para mais informações sobre quais tipos de cookies você pode encontrar nesse site, acesse "Definições de cookies". Ao clicar em "Aceitar todos os cookies", você aceita o uso dos cookies desse site. Política de Privacidade.