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Mariá Mond: Lunática pela música

A artista fala um pouco sobre sua carreira na música e também sobre o seu novo projeto.

Por: Rodrigo Domingos

14:45:00 - 16/04/2026

Mariá Mond: Lunática pela música

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Na coluna desta quinta-feira, 16, um bate-papo com a cantora, compositora e arte-educadora Mariá Mond. A artista fala um pouco sobre sua carreira na música e também sobre o seu novo projeto intitulado “Lunática”, que estreia no dia 24 de abril na Livraria O Sebo.

Foto: Cheila Wiggers

Mariá como e quando iniciou sua carreira, quando você decidiu que a música seria de fato sua profissão, sua forma de ser você, de se expressar no mundo?

A minha memória mais antiga é de um dia em que meu pai me auxiliou a batucar na mesa com as mãos mesmo, uma música que se não me engano era “Esperando na Janela”, sinto que desde esse dia que foi o qual eu conscientizei música pela primeira vez, eu senti o chamado da arte. Não sei o dia exato que nasceu/surgiu essa paixão pelo ser artista e pelo canto especificamente, mas desde muito criança eu já sabia exatamente que eu queria ser cantora.

Aos meus 8/9 anos tive a oportunidade de ter aulas de música com o professor de uma escola, que proporcionou aos alunos a chance de gravar algumas músicas em seu home estúdio, por eu ter muito interesse na área o meu professor me indagou a escrever uma música e não apenas cantar alguma canção pronta como foi com as outras crianças da escola, e foi quando eu compus minha primeira música que vamos chamar de “Sonhos”, ela falava sobre a magia que a música trazia para o mundo e para mim. De forma singela e infantil, mas sinto que me direcionou.

Com amigos meus de infância integrei a partir dos meus 14 anos o grupo de rap S.K.I do qual fizemos algumas produções de forma independente, participamos de eventos, shows nacionais, votações tudo o que estivesse disponível, tínhamos muita vontade e garra e um objetivo em comum, sou muito grata a esse período que me trouxe muita experiência ainda tão jovem.

Aos 20 anos, após tentar seguir um caminho mais comum, cursei 2 anos de estética do qual me trouxe uma frustração muito grande de sentir que eu não pertencia a aquela escolha, alguma peça não encaixava, a partir daí então percebi que eu precisava viver a música e de música que era o mais complicado, mas que faria o que precisasse para atingir esse objetivo, tranquei minha faculdade e iniciei na vida acadêmica musical de cabeça e desde então tenho me dedicado a ficar cada dia mais nerd na música.

Em 2021, você foi a vencedora do concurso Joinville 170 anos realizado pela NSC, com seu clipe “170 Estrelas”. Como foi essa experiência?

O Concurso dos 170 anos de Joinville, foi uma grande e feliz surpresa, meu pai me enviou para que eu fizesse a inscrição e desde que eu decidi participar do concurso sabia que queria trazer um aspecto de modernidade e os sons que eu ouvia nas ruas da cidade.

Compus a letra e convidei meu amigo de infância e produtor West Naza para que fizesse a parte instrumental, trouxemos elementos de música eletrônica e do megafunk gênero muito consumido e que nasceu aqui no Suldo país e acredito que pela canção trazer esse frescor e um ritmo animado/acelerado acabou se destacando das demais canções e conquistou o público.

Formou-se também um grande mutirão na família, amigos e conhecidos, mas fiquei feliz que outras pessoas também se identificaram e votaram na música e fui a vencedora.

Gravamos um videoclipe como premiação com uma equipe do fotógrafo Gabriel Bazt, que gerou o convite para a minha participação no livro fotográfico “Cidade Plural" e foi algo que alavancou meu nome como artista para outros nichos e outras pessoas de Joinville e região pela reprodução da mídia nos principais jornais da cidade.

Assista ao clipe 170 Estrelas:170 Estrelas - Mariá Mond & West Naza (Clipe Oficial)

Como se deu a sua transição do trap, rap, do pop, para o jazz, para o soul, para a amplificação e a personificação da sua voz digamos assim, quando aconteceu essa virada de chave?

Desde o princípio, eu sempre fui da arte, sem caixinhas ou rótulos, sempre ouvi de tudo e tive referências de diversas fontes.

O rap foi o espaço que me acolheu e me deu acesso para que eu pudesse criar, e eu curti muito fazer parte de uma cena inteira, aprendi a rimar e todas as linguagens específicas do gênero o que me trouxe muito mais riqueza para o meu trabalho em frente.

Quando iniciei na cena de Joinville não havia mulheres em lugares de destaque na cena, e que integrasse a rima junto com os homens da cena, muitas vezes as mulheres ficavam com os refrões e partes melódicas o que me foi muito incentivado pelos meus companheiros de grupo a ir para o caminho contrário e rimar.

Após iniciar meus estudos musicais, eu conheci o jazz que me tocou com tamanha liberdade, caos e ordem e beleza.

Após perceber que tudo se encontrava de alguma forma abstrata, seja jazz, seja rap, pop ou mpb, todos nascem de uma fonte que é a música, a poesia, a expressão e o amor à arte, fiz questão de transitar onde eu sentisse verdade.

Você é professora de Técnica Vocal e Grupo Vocal, como se dá esse processo educacional digamos assim, ensinar música?

A parte educacional nasce da necessidade do "corre”, as contas chegam e dar aulas ajuda nesse processo de resolver os perrengues da vida adulta, mas sempre coloco propósito nos meus caminhos como trazer a sensibilidade e profundidade artística para meus alunos e projetos que atuo.

Assistir a outras pessoas descobrindo a beleza da arte dentro de si, é um sentimento dificilmente explicável. Pessoas de diversas idades, desde a criança, vendo tudo pela primeira vez até despertar o sonho daquele adulto que precisou fazer os "corres” da vida adulta e redescobrindo uma pulsão de arte. Ser uma ponte dentro disso toca o coração e o propósito se conclui com sucesso.

Você é a voz do Tanino´s, um grupo tão potente com grandes músicos, como é essa experiência, conte-me um pouco sobre o grupo?

Tanino’s vêm da amizade, amor à arte e de muitas habilidades específicas combinadas (e alguns vinhos, claro!) Daniele Haak além de pianista talentosíssima atua como articulada produtora cultural que movimenta a cena artística da cidade, Marco Antônio exímio músico traz consigo virtuosidade e sensibilidade, nosso diretor de clima, e Silvano Silva multi habilidades, traz detalhes e cuidado musical e toda a competência da comunicação, característica que se completam no palco.

Além de admirá-los como profissionais supercompetentes que são, ainda posso desfrutar de momentos de muitas risadas durante os ensaios e backstages, e então a mágica acontece na música. O divas do jazz vem do desejo que Dani e eu tivemos de homenagear mulheres no jazz tanto instrumentistas como cantoras do gênero e criar um espetáculo com tom visceral e intimista e circulará uma turnê pelos teatros do estado no segundo semestre.

Joinville é um celeiro de grandes músicos, cantores, compositores, principalmente mulheres, e você carrega essa pauta, de mulheres na música. Como isso se dá, você pode citar alguns nomes destas mulheres que fazem parte deste cenário musical?

Joinville é um espaço em pulsão eminente na área artística, a cidade conta com inúmeras artistas competentes e talentosas tanto instrumentistas, produtoras, diretoras que transitam entre vários espectros no cenário cultural.

Essa matéria teria de ter mil páginas e ainda faltaria alguém, mas tenho muita admiração pela Dani Haak minha colega de banda e demais mulheres como: Lelê Marchioli, Amanda linhares, Fabrícia piva, Rafa Antonioli, Duda Maiolini, Maria Otero, Kim e Natana do Napkin, são muitas.

Conte-me um pouco sobre seu novo projeto intitulado “Lunática”, que estreia no dia 24 de abril na Livraria O Sebo?

O projeto nasce de uma pesquisa experiência que fiz desde os 20 anos, quando aprofundei meus estudos musicais. Percebi academicamente, socialmente certas barreiras entre os gêneros musicais e essas barreiras se estabeleciam nos ambientes.

Desde então veio o desejo de unir tudo o que construí e aprendi do rap e trap com gêneros mais clássicos como o jazz e bossa nova. O conceito veio da experiência de ser uma artista numa cidade em crescimento na era da tecnologia e como lidar com esses sentimentos de integrar uma cena artística, viver da música e intensidade emocional que vem a partir do ser humano pela primeira vez.

O projeto flui por várias camadas e referências do meu eu artístico com maturidade e ousadia que eu amo.

É possível viver da música autoral?

O artista nesse período histórico tem uma vivência muito cômica e precisa se virar em mil facetas para fazer a roda girar. A música autoral sem atingir grandes massas torna-se uma tarefa bem complicada, mas o espírito camaleão que nós artistas adquirimos nessa transição tecnológica e do algoritmo acha várias maneiras de ter uma vida digna, mas o trabalho de ser artista de fato nunca é só ser artista.

E suas inspirações, quem são?

São várias, acho que das artistas que eu me identifico mais hoje é a cantora inglesa Raye que discorre de várias semelhantes ao meu trabalho, mas curto muito, Marina Sena, Tom Jobim, Vanessa Moreno, João Gilberto, Elis , Olivia Dean, Doechii, Lauryn Hill, Sade, Lady gaga. Olha são inúmeras as referências intermináveis todos os dias eu descubro alguma obsessão nova.

O que vem agora pela frente na carreira de Mariá Mond?

Uma Mariá madura e cheia de vontade de música, muita liberdade e experimentação artística, além de mistura de várias sensações sonoras. Além de um foco maior na atuação e presença na cena cultural.

E o que a Mariá Mond diria para Mariá criança, e já aproveitando a pergunta, qual seu conselho para as meninas que querem entrar no mercado da música?

Diria para não desistir e insistir cada vez mais, e não esquecer do estudo musical que faz total diferença pro artista. A parte burocrática da música digamos assim é o que te trará autonomia, independência e amadurecimento.

A sensibilidade acredito que já nasce com o artista, mas é de extrema importância o fomento a educação cultural, musical e artística desde o princípio. Por isso acho tão importante políticas públicas que facilitem e deem acesso a tantas outras artistas por aí que só precisam de um empurrão pra ser o que nasceu pra ser.

Mais informações:

  • Instagram: @mariaamond_ @taninostrio
  • Ingressos para estreia do show Lunática via Sympla.

Galeria de Imagens:

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