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A sorte de ser escolhida por um bichinho de estimação

Animais não pedem nada que a gente já não precise dar. E, ainda assim, eles devolvem muito mais do que recebem.

Por: Renata Seliprim

08:30:00 - 13/04/2026

A sorte de ser escolhida por um bichinho de estimação

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Tem heranças que não cabem em inventário.

Meu pai me deixou uma dessas: o amor pelos animais.

Não veio em palavras, nem em discursos. Veio nos gestos. Veio nas vezes em que ele chegava em casa com uma ave resgatada do tráfico, um cachorro recolhido da rua, um olhar indignado diante de qualquer forma de abandono. Eu cresci assim — entendendo, desde muito pequena, que bicho não é coisa. É encontro. É responsabilidade. É amor.

Lá em casa já teve de tudo. Cachorro, passarinho… até uma ovelha em apartamento. E, curiosamente, nunca pareceu estranho. Estranho seria não acolher.

Hoje, vejo esse mesmo amor atravessando gerações. Meu filho cresce do mesmo jeito que eu cresci: dividindo espaço, carinho e histórias com animais. Meu marido também — cúmplice nessa bagunça boa que é ter patas pela casa.

Eu já tive cinco cães de uma só vez. Atualmente temos duas: Mel e Farofa.

Farofa chegou primeiro. Ou melhor, chegou “temporariamente”. Foi resgatada com a mãe e os irmãos de uma situação de maus-tratos. Ainda cabia dentro do meu casaco quando entrou em casa. Lembro de dizer, com a maior convicção (e cara de pau) do mundo: “é só um lar temporário, meu bem”.

A gente sempre acha que decide alguma coisa… até o coração decidir antes.

Hoje, Farofa é o xodó do Leandro. Daquelas paixões que a gente nem tenta explicar.

Ela é preta. E isso diz muito.

Enquanto os irmãos branquinhos foram adotados rapidamente, ela ficou. Ninguém queria. Como se cor definisse afeto. Como se amor escolhesse estética.

Mas escolheu. E escolheu bem.

Mel tem outra história — ou talvez, tenha sido ela quem escreveu a nossa.

Mel não foi adotada. Ela nos adotou.

Pulou o muro de casa, foi chegando devagarinho, como quem pede licença sem pedir. Já era conhecida na praia, dessas cachorras livres que circulam entre pessoas, mesas e histórias. Muita gente tentou levá-la. Mas ela ficou.

Porque, às vezes, não somos nós que escolhemos. E foi uma delícia e um privilégio sermos escolhidos por ela.

E foi Mel, inclusive, que um dia me lembrou, da forma mais concreta possível, o que significa esse vínculo. Em uma situação de perigo, quando um homem tentou me atacar, foi ela quem reagiu. Latindo, avançando, me defendendo. Espantou o agressor.

Naquele dia, eu não tive dúvidas: o amor também protege. E, muitas vezes, vem em quatro patas.

Animais não pedem nada que a gente já não precise dar: presença, cuidado, respeito. E, ainda assim, eles devolvem muito mais do que recebem. Não julgam, não cobram, não calculam.

Eles só amam.

Talvez por isso sejam, de fato, os melhores amigos que o ser humano pode ter.

Porque nos lembram, todos os dias, da forma mais simples — e mais difícil — de amar: inteira, gratuita e sem exigências ou condições.

No fim das contas, acho que meu pai sabia exatamente o que estava fazendo quando me ensinou tudo isso.

Ele só não me contou que essa herança ia ocupar tanto espaço no coração. E na casa também. Mas, honestamente, eu não saberia viver de outro jeito.

 

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