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Fabiano Simão: o design como forma de sobrevivência à autoafirmação
Na coluna deste domingo, 12, uma conversa verdadeira, sem glamour ou estereótipos sobre a profissão designer.
Por: Rodrigo Domingos
17:54:00 - 12/04/2026
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Na coluna deste domingo, 12, uma conversa verdadeira, sem glamour ou estereótipos sobre a profissão designer. Fabiano Simão desenvolve mobiliários de alto padrão, seu trabalho já é reconhecido há muito tempo fora de sua cidade natal, Joinville.
Atualmente o designer participa da 1ª Bienal Brasileira de Arquitetura, em São Paulo, que acontece até o final de abril, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), no Parque do Ibirapuera. O designer é um dos catarinenses que estão no Pavilhão Santa Catarina, em espaço projetado pelo renomado arquiteto também catarinense Jeferson Branco.
Fabiano, conte-me um pouco sobre o início da sua trajetória, sua graduação, os primeiros passos no design?
Eu acabei me conectando com o design ainda na escola no ensino médio, naquelas visitas de feiras de profissões na universidade, eu tive uma infância muito difícil dentro do meu ponto de vista, então sempre me encantava com coisas que de alguma forma poderia transformar a minha realidade.
Anos depois ainda prestando serviço militar, acabei decidindo entrar no técnico de design para dar start na profissão e isso me levou a uma oportunidade ainda no chão de fábrica em uma marcenaria de prestígio na época. Encarei inúmeros desafios, mas acabei conseguindo ir para área de projetos e logo em seguida me senti empoderado para cursar a tão sonhada universidade.
Consegui entrar então no curso de Bacharel de Design de Produtos e logo em seguida já entrei em um dos melhores escritórios de design da época, ali tive contado com projetos de alto padrão, lançamentos imobiliários, interiores.
A partir daí as coisas foram só evoluindo, mudei para uma empresa de médio porte desenvolvendo projetos de arquitetura promocional, na faculdade fui participando de concursos de design nacionais e regionais, fui finalista do Prêmio Tok Stok, Karmann Ghia e fui vencedor do Prêmio Universitário Estofados Jardins, empresa com sede em Jaraguá do Sul.
Em paralelo ao final do curso, inspirado em um trabalho sobre designers brasileiros com os renomados Irmãos Campanas e Zanine, fiz minha primeira série autoral de design e isso acabou me projetando, logo no final da graduação, sendo destaque de algumas publicações nacionais, como revista Kaza, Casa e Jardim entre outras, ao lado de designers (movimento Y) que hoje em dia tem projeções internacionais. Assim, de forma resumida iniciei minha carreira no design.
Você optou seguir no design de produto, sendo muito lembrado por seus mobiliários, de alto padrão e de extremo bom gosto, como foi entrar neste mercado?
Acho que de certa forma, foi um choque de realidade e muito desafiador, por assim dizer, rsrrs. Pois eu vinha de uma realidade totalmente diferente daquele novo mundo, minhas referências não batiam, mas minha experiência profissional foi refinando aquilo que até então parecia não ter espaço para mim.
Minha ideia inicial era trabalhar como designer industrial mesmo, na prática, a pessoa que desenhava produtos manufaturados e industrializados em grandes corporações, mas aos poucos fui percebendo uma distância muito grande até lá.
Casado, com filho e boletos para pagar, precisava de algo mais pé no chão, então vi no mobiliário uma aceitação, mais condizente com aquele momento, e no design autoral uma possibilidade de vislumbrar um futuro mais exponencial a longo prazo.
Qual produto te dá mais orgulho e como foi o processo criativo dele?
Acho que no momento seria a poltrona Afro Black. Acredito que ela seria a mais icônica, pois ela é uma junção de toda experiência que tive até agora, nesses pouco mais de 20 anos. Pois ela é ancorada nas três premissas que acredito sempre ter em cada trabalho que realizo, funcionalidade e um olhar do design industrial, meu primeiro sonho.
Experiência não só estética e visual, mas de contato, sensorial, muitas vezes uma quebra de paradigma, e por fim contextual, uma fomentação ou conexão com a cultura, ela é inspirada nas tranças afros, tem cordas e um desenho icônico que você dificilmente vai achar algo parecido até então.
Como você vê hoje no design a preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente e como você vê isso ser implantado nos seus projetos?
Por incrível que pareça eu sempre vi o design como uma ferramenta excelente para quebra de padrões e para fazer modificações interessantes de bons resultados no mercado. Ela é perfeita para entender um contexto de um problema e achar a solução. Pois é isso que o produto é, uma solução inerente, criativa e lucrativa para uma necessidade.
Ela precisa ser amparada por vários ângulos (mercado, público-alvo e a cadeia produto/serviços) e o design é a ferramenta perfeita para isso no meu ponto de vista. Então a sustentabilidade no meu ver é uma necessidade global, então quanto mais o mercado insere isso em suas culturas, mais o design pode ser uma ferramenta fundamental para materializar essa necessidade.
Pois ainda estamos em uma era muito superficial, volume sempre acaba sendo a opção de grandes corporações e cabe a nós mentes disruptivas mostrar que há outras opções.
A minha primeira linha de moveis autorias foi justamente baseada nisso era moveis de forte identidade cultural feita a partir de materiais descartados a qual me projetou no cenário nacional, justamente por elucidada na prática essa narrativa.
Você foge dos padrões estéticos pré-estabelecidos, sendo que a funcionalidade dada ao que produto final é um grande diferencial seu. Você acredita que um produto deva ir além da beleza, o que um bom produto precisa ter?
Sim fujo dos padrões até por questões de estratégia assim dizendo. O design em si é uma área/profissão elitista e muito nichada, já existe um contexto muito bem montado e estruturado, então é difícil você querer fazer algo que a maioria está fazendo, e competir com isso, eles vieram de realidades mais estruturadas que a minha e conseguem adentrar na área com mais facilidade através de contatos e networking.
Mas eu vim dessa realidade desafiadora, um jovem negro em uma cidade de cultura germânica, minha vida é um desafio desde a infância, quebrar padrões se tornou algo natural para mim ao longo do tempo, então usei isso ao meu favor, o design em sua essência é disruptivo, criativo e principalmente estratégico, e no Brasil 80% das empresas usam de ele de forma superficial, apenas como perfumaria, como eu gosto de dizer no final da esteira.
Eles fazem tudo e só depois pensam no design, por isso temos essa massa padronizada. Então ao invés de tentar competir e me encaixar e ser engolido por uma briga onde a maioria está lutando. Eu aproveito minha formação e experiência e faço o que deveria ser tradicional e coloco o design onde deveria.
No começo da esteira, na estratégia, no ponto zero onde a gente cria o produto daí fica bem mais fácil chegar em resultados diferenciados e não alternativos de um produto que passa a ser extremamente competitivo por se destacar facilmente da maioria. Ou seja, é só uma questão de mind set mesmo.
Então para mim, um bom produto que contém um bom design, ele atende uma necessidade olhando para os três pilares básicos: público, mercado e cadeia produtiva. Ele entende essa necessidade, se aprofunda no contexto e gera uma solução que naturalmente tende a ser diferenciada. Funcionalidade, estética como experiencia e conexão dos pilares.
Você está participando com uma peça sua no espaço do arquiteto Jeferson Branco no pavilhão de Santa Catarina da primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), evento que propõe ampliar a presença da arquitetura no imaginário cultural do país e transformar a forma como o público se relaciona com os espaços que habita. Fale um pouco sobre este projeto em específico?
Sim, para mim isso é um marco em vários sentidos. Isso com certeza é algo incrível do ponto de vista de atemporalidade, Jeferson branco é um arquiteto Forbers Under 30, referência nacional, internacional e no estado, estar em um projeto dele significa muito para mim, até por questão de sinergia e relevância do meu trabalho no cenário nacional, essa seria minha primeira exposição nacional e consequentemente na primeira Bienal, isso é muito gratificante.
Ser um representante do estado, sendo da maior cidade catarinense, que é Joinville, também é extremamente gratificante, anteriormente tivemos a Renata Moura e Manu Reyes se destacando no cenário nacional, e contemporâneos a mim temos o Richard Tenfen e o Augusto Meurer do Ambos Estúdio.
Acredito ter mais, mas são os que eu conheço. E do ponto de vista de perenidade, meus principais trabalhos foram no ano de 2013 a 2016 no design autoral, e ainda sim eles ainda rendem frutos, ter participado e conhecido pessoas incríveis que me ajudaram e apoiaram nessa jornada como Bruno Faucz, Dennys Tormen, Ramon Zancanaro, Hugo Sigaud e Marcos Dagostin, foi incrível.
Ter participado de matérias do Allex Colontonio, mostram que um bom trabalho gera frutos que o ultrapassam o tempo, isso é um resultado muito gratificante.
O que ou quem te inspira?
Do ponto de vista geral é Deus, minha esposa e meus filhos. Poder dar uma vida melhor para eles e consequentemente para mim é o que me motiva a seguir encarando desafios. Do ponto de vista profissional na base, lá na época da graduação eu me inspirava muito no Karin Rashid, depois os irmãos Campana e o Zanine.
Mas tem um cara que até hoje eu não sei por que mais me arrepio só de ver o trabalho dele é muito autoral. É um coreano Kwangho Lee, também conheci na faculdade ele assim como eu mete a mão na massa e é o trabalho mais fora da curva que eu me inspiro até hoje.
Quais são os próximos passos, os próximos projetos de Fabiano Simão?
Meu próximo passo é uma fase de transmutação e junção do meu ecossistema criativo de inovação. Eu sempre trabalhei de forma variada e tive muitas facetas. E agora quero transformar tudo em uma única identidade. E já fiz projetos para arquitetura promocional, interiores de casa container, mobiliário para escala, projetos para produtos, lançamentos imobiliários, concept design de ambientes para alavancagem de marca, varejo, trailers food truck.
Mas todos eles em comum tinham essa necessidade disruptiva para poder se tornar competitivo no mercado se destacar e ter crescimento de médio e longo prazo, não ficar estagnado no tempo.
Mas nunca mostrei ou trabalhei o porquê e o como cheguei naquele resultado, então parecia projetos aleatórios de áreas diferentes, quero reforçar não apenas o resultado, mas o impacto e como fazer para usar a mesma lógica para inovar nos negócios, ideias e produtos. E a bienal veio para coroar e dar start nessa nova fase.
A 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira segue até o dia 30 de abril, com programação aberta ao público em São Paulo: Bienal de Arquitetura Brasileira
Fabiano Simão
- Designer de Produtos
- Telefone: +55 047 98409 9206
- Site: http://www.fabianosimao.com.br
- Instagram: @byfabianosimao @bienaldearquiteturabrasileira

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