#coluna
O basquete como agente cultural e transformador
Na coluna desta quinta-feira, 26, um papo com Raphael Figueiredo, atleta e treinador de basquete.
Por: Rodrigo Domingos
11:33:00 - 26/03/2026
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Na coluna desta quinta-feira, 26, um papo com Raphael Figueiredo, atleta e treinador de basquete com atuação destacada no cenário do 3x3 em Santa Catarina e no Brasil. Reconhecido por sua trajetória competitiva e pelo trabalho de formação de jovens através do esporte.
Conte-me um pouco sobre seu começo no basquete, sua vinda de Franca para Joinville?
Comecei no basquete em Franca, uma cidade com muita tradição, considerada a capital nacional do basquete. Lá, praticamente toda criança cresce querendo jogar, muito por conta dessa cultura forte do esporte. Comigo não foi diferente. Eu ainda tinha um elo mais próximo dentro de casa, já que meu irmão mais velho jogava, então esse caminho acabou sendo muito natural. Comecei na escolinha e rapidamente evoluí para as categorias de base, representando a cidade em competições regionais e também em nível estadual.
Porém, eu saí de Franca muito cedo. Com 14 anos, fui para Uberlândia e, na sequência, tive a oportunidade de jogar em Santa Catarina. Mas Joinville ainda não foi minha primeira equipe. Antes disso, tive uma passagem por Criciúma, onde assumi um papel de protagonismo e consegui me destacar. Foi a partir daí que recebi o convite para jogar em Joinville pela primeira vez, em 2011. Aqui, conquistei títulos nas categorias de base, fui convocado para a Seleção Catarinense e dei sequência à minha trajetória no basquete.
Depois disso, rodei alguns lugares do Brasil, me firmei como jogador profissional e tive a oportunidade de disputar o meu primeiro NBB. Em 2017, retornei para Joinville já com uma bagagem maior e fiz parte do elenco que recolocou a cidade na elite do basquete brasileiro, com o vice-campeonato da Liga Ouro. Em 2019, voltei em definitivo para a cidade, onde criei uma conexão muito forte com o basquete local.
Sua carreira é cheia de vitórias você foi vice-campeão da Liga Ouro pelo Basquete de Joinville e atualmente atua na categoria 3x3, sendo vice-campeão Brasileiro de Basquete 3x3, bicampeão dos Jogos Abertos de Santa Catarina e Campeão da 1ª etapa do Circuito Catarinense de Basquete 3x3. Explique também um pouco sobre essa categoria do basquete, que é o 3x3?
Em 2021, iniciei minha trajetória no basquete 3x3 após receber um convite para integrar uma equipe de Joinville, conquistando logo de início o vice-campeonato brasileiro. O 3x3 foi algo muito especial e até abençoado na minha vida, porque ele se conecta diretamente com as minhas origens. Eu sempre tive uma ligação com o basquete de rua, e o 3x3 traz exatamente essa essência para dentro da quadra.
Hoje, o 3x3 é um esporte olímpico e é considerado uma das modalidades que mais cresce no mundo. É um dos esportes urbanos mais praticados globalmente, principalmente por ser de fácil acesso e estar muito presente nas comunidades. É um estilo de jogo mais livre, dinâmico e muito conectado com a cultura. O atleta tem mais liberdade para se expressar, e o ambiente vai além do jogo. O 3x3 conversa com o hip-hop, com a música e com os elementos da cultura urbana, e por isso é muito comum ver, nos eventos, toda essa atmosfera acontecendo junto com o basquete.
Essa transição também me levou a viver experiências incríveis, como a participação no circuito internacional na Itália. Tudo aconteceu muito rápido: depois do vice-campeonato brasileiro, no ano seguinte já estávamos competindo fora do país. Foi uma experiência muito intensa, tanto dentro quanto fora de quadra. As batalhas nos jogos, o nível competitivo e, principalmente, a representatividade de estar carregando a bandeira do Brasil, de Joinville e de Santa Catarina, tornaram tudo ainda mais especial
Como foi ter participado do circuito internacional de basquete 3x3 na Itália?
Foi muito legal a sensação de estar jogando fora do país. Algo que começou como um sonho lá atrás, quando eu era criança. Quando você chega lá e percebe que atravessou um continente através do basquete, através daquela bola laranja que sempre foi a minha paixão e com a qual eu sempre me diverti, é algo difícil de explicar.
Saber que o basquete me levou tão longe assim foi realmente muito especial. Essa vivência me trouxe uma bagagem muito grande dentro da modalidade, além de experiências que vou levar para a vida. As conexões, os aprendizados e as inspirações que vieram de lá influenciaram não só o meu jogo, mas também a forma como penso o basquete hoje, inclusive na criação de projetos e ideias para desenvolver aqui na cidade.
Você tem como propósito utilizar o basquete como ferramenta de transformação social, promovendo oportunidades, desenvolvimento pessoal e inclusão para crianças e jovens. Como isso se dá?
Esse propósito social começou a ganhar mais força em 2019. Inclusive, faço questão de te destacar, porque foi através de um convite seu, naquela ação de Dia das Crianças na AMORABI, que tudo começou a fazer mais sentido para mim. A partir dessa vivência com a comunidade, passei a entender melhor o meu propósito dentro do basquete. A partir disso, a sequência foi seguir nesse caminho, me envolvendo de forma cada vez mais direta com esse trabalho.
Foi assim que surgiu o Instituto Raphael Figueiredo, construído a partir de conexões com muitas pessoas que acreditaram na ideia e me ajudaram a tirar esse projeto do papel.
Conte-me um pouco sobre o Instituto Raphael Figueiredo?
A criação do Instituto me permitiu colocar tudo isso em prática de forma mais organizada e estruturada, desenvolvendo um trabalho consistente através do basquete. É algo que me dá muito orgulho. A cada ano venho me estruturando mais, adquirindo experiência e bagagem.
Hoje, já realizamos um trabalho muito especial no Sesc Comunidade, e seguimos aprendendo diariamente, criando novas histórias e, principalmente, impactando e transformando a vida de muitas crianças.
Você acredita que esse é o caminho, aliar o esporte com a cultura e a educação?
Sim, eu acredito muito nesse caminho do esporte educacional e da iniciação esportiva. Usar o esporte como ferramenta para educar as crianças, através dos valores que ele ensina, é algo fundamental.
A ideia é que seja um ambiente acolhedor, onde elas possam se desenvolver não só na parte técnica, mas também como pessoas. E, ao mesmo tempo, sem perder a essência: o esporte é diversão. O basquete é diversão. Tem que ser uma brincadeira de criança, mas uma brincadeira positiva, que traga experiências boas e contribua para a formação delas.
Você juntamente com a NSC TV, e o projeto Basquete Transforma SC, conseguiram construir uma quadra 3x3 no Itinga, bairro de Joinville, em parceria também com a AMORABI, que é a associação de moradores do local e que atente milhares de pessoas com projetos sociais e culturais. Isso foi em 2022 e a quadra segue lá. Você sente orgulho?
Falando sobre a quadra da AMORABI, que veio através do projeto Basquete Transforma, uma iniciativa maravilhosa da NSC e da Federação Catarinense de Basquete, a gente foi abençoado em ser contemplado.
Essa conquista representa a realização de um sonho que começou lá atrás, em 2019. Depois disso, foram muitos esforços, muito corre, sacrifícios e também dificuldades. Mas tudo aconteceu de forma muito genuína.
Hoje, a quadra é um espaço de lazer e convivência para a comunidade do Itinga, e não tem como eu não sentir orgulho disso. É algo que vai ficar. A gente sabe que a nossa vida é passageira, então quando conseguimos fazer algo que permanece e impacta outras pessoas, é algo muito forte.
Você é o Idealizador da Street League 3x3, evento que une esporte, cultura urbana e impacto social. Como surgiu o projeto e quais são seus planos com o evento?
A Street League surgiu a partir de uma inspiração que eu tive ao participar de um torneio na Itália. Trouxe essa ideia para Joinville e apresentei ao Shopping Mueller, que acreditou nesse propósito desde o início.
A proposta era unir esporte, cultura e impacto social. Conseguimos realizar no terraço do shopping algo inédito na cidade, com estrutura profissional de basquete 3x3, torneio com pontuação no ranking mundial e participação de equipes da região. Além disso, conectamos o basquete com a cultura urbana, trazendo DJs, MCs, artistas e grupos de dança, sem deixar de lado o lado social, arrecadando alimentos para a comunidade.
Como é ser treinador?
Ser treinador é algo desafiador e, ao mesmo tempo, muito prazeroso. É a oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que eu aprendi ao longo da minha carreira e transmitir isso para as crianças.
Eu já fui aquele garoto apaixonado pelo basquete, então entendo esse processo. Mais do que ensinar a parte técnica, é sobre passar valores e contribuir para o desenvolvimento deles como pessoas. E isso reflete.
É muito gratificante quando a gente recebe o carinho deles, essa reciprocidade. É algo novo para mim, depois de tantos anos como atleta, mas é algo que eu amo viver.
Para quem quer iniciar na carreira do basquete, o que você indica?
Para quem quer iniciar no basquete, a minha dica é: você está no caminho certo. É um esporte maravilhoso, completo e que vai muito além do jogo. É um estilo de vida, uma forma de expressão. Então faça isso com amor, dedicação e disciplina, porque os frutos são inevitáveis.
E o futuro de Raphael Figueiredo, o que vem por aí?
E sobre o futuro, como dizem, pertence a Deus. Mas é algo que eu venho pensando, estudando e construindo. Me vejo talvez como gestor, desenvolvendo projetos não só no basquete, mas também na área cultural, sempre com o propósito de continuar impactando vidas.
Mais informações:
Raphael Figueiredo
Instagram: @rapha.figueiredo @institutoraphaelfigueiredo @streetleagueoficial @estrelinha_basquetebol
Galeria de Imagens:
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