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JEC e SAF: O tempo como medida

A Sportheca apresenta sua proposta quarta-feira, mas definição sobre a SAF pode ficar para um segundo momento

Por: Gabriel Fronzi

10:00:00 - 23/03/2026

JEC e SAF: O tempo como medida

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Existe um tipo de silêncio que é mais eloquente que qualquer grito. É aquele que paira sobre uma sala de reuniões quando todos sabem que algo importante está para acontecer, mas ninguém consegue nomear exatamente o que é. O JEC viverá esse silêncio nesta quarta-feira, quando a Sportheca apresentará sua proposta de SAF ao Conselho Deliberativo.

Uma proposta que, segundo bastidores, gira em torno de R$ 150 milhões por dez anos. Um número que deveria fazer o coração do torcedor bater mais rápido, mas que precisa ser analisado minuciosamente. E aqui chegamos ao ponto que deveria ser o centro de qualquer reflexão: quem receberá esse documento não o avaliará antecipadamente.

Os conselheiros vão receber na hora. Vão ler na hora. Vão tentar compreender, na hora, as minúcias de um contrato que pode definir o futuro do clube. É como pedir a um cirurgião que estude um caso complexo enquanto já tem o bisturi na mão.

O peso do tempo

Doze meses. Esse é o tempo que a negociação entre Sportheca e Joinville vem se desenrolando. Doze meses em que a proposta poderia ter sido refinada, debatida, compreendida. Doze meses em que a Sportheca poderia ter construído uma narrativa sólida, uma confiança que transcendesse as incertezas naturais de qualquer negócio. Mas o tempo, paradoxalmente, fez exatamente o oposto. Corroeu a confiança. Transformou o que deveria ser um momento de esperança em um momento de insegurança.

A enquete realizada no 89 Esportes reflete isso. O resultado não foi favorável à Sportheca. E isso não é um julgamento sobre a qualidade da empresa, que possui know-how, pessoas capacitadas e boas intenções. É, simplesmente, o reflexo de uma verdade incômoda: o tempo faz o que nenhum argumento consegue fazer. Corrói. A Sportheca imaginou que quando chegasse a esse momento, haveria uma comoção popular, uma aceitação quase natural. Mas o arrastamento transformou o que deveria ser um momento de celebração em uma dúvida.

O processo e suas nuances

Aqui está o ponto que merece reflexão: o processo de apresentação da proposta não segue o que se poderia chamar de modelo convencional no mundo corporativo. Quando uma proposta de relevância chega a um conselho de administração, os conselheiros recebem o documento antecipadamente. Debatem. Estudam. Fazem perguntas.

Quando chega o dia da votação, já há uma compreensão mínima do que está sendo votado. No JEC, infelizmente, a lógica é outra. Os conselheiros vão receber a proposta na hora. Vão tentar ler um contrato complexo, com dezenas de cláusulas, enquanto o relógio marca o tempo da reunião.

Não é uma questão de incompetência, necessariamente. É uma questão de ritmo, de processo, de como as coisas são conduzidas. E esse ritmo, essa forma de proceder, diz muito sobre a cultura de um lugar. O resultado é previsível: a proposta será protocolada, sim. Mas dificilmente será votada nesta quarta-feira. Os conselheiros, com razão, vão querer estudar mais. Vão querer fazer perguntas. Vão querer entender o que estão votando. E isso, embora seja o procedimento correto, significa mais tempo. Mais espera. Mais adiamento.

Enquanto isso...

A vida segue, pois há uma realidade mais imediata e urgente: o JEC está na Série D. Está segurando no freio financeiramente e montando um time (bem) mais barato que o do Estadual. Os reforços que chegam pouco animam o torcedor. Derian Campos, o presidente em exercício, deixou bem claro: o time será mais barato, com doses de realismo. Mas realismo sem esperança é apenas resignação. E o Joinville está nesse ponto delicado, entre a resignação e o desespero.

A SAF deveria ser o ponto de inflexão, o momento em que as coisas mudam de direção. Mas se o processo continuar sendo conduzido dessa forma e se as decisões continuarem sendo adiadas, então a SAF será apenas mais uma promessa que se estende no tempo. E o clube, enquanto isso, segue fazendo o que sabe fazer melhor: agonizar.

No mais

A Sportheca não é inimiga. Tem conhecimento, estrutura e inovação. Mas chegou em um momento em que o JEC já perdeu a capacidade de acreditar em promessas. Isso ocorreu quando o amadorismo já havia se enraizado tão profundamente que até uma proposta profissional parece suspeita. Não é culpa da Sportheca, óbvio. É a consequência de anos de desconexão entre o que se promete e o que se entrega.

Quarta-feira será um dia importante. Mas não será o dia da decisão. Será apenas o dia da apresentação. Essa diferença — entre apresentação e decisão — é a distância que separa um processo que funciona de um processo que apenas simula funcionar. O Joinville segue nesse segundo caminho. E enquanto isso não mudar, nenhuma proposta, por melhor que seja, conseguirá o que realmente importa: fazer o clube respirar novamente.

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