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Joinville e seus heróis anônimos: a trajetória dos bombeiros voluntários que virou símbolo na cidade
Reportagem integra uma série especial sobre o aniversário de Joinville
Por: Rafael Moreira - Repórter
18:00:00 - 18/03/2026
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Em Joinville, o som de uma sirene vai além de um chamado de emergência, é também um símbolo de uma cultura construída pela própria comunidade. Reconhecida oficialmente como Capital Nacional dos Bombeiros Voluntários, a cidade transformou o trabalho do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville em um dos principais pilares de sua identidade, refletindo mais de um século de solidariedade, participação popular e compromisso coletivo.
A reportagem sobre os Bombeiros Voluntários de Joinville integra a série especial Joinville 175: a gente faz história, produzida pelo portal Ponto Norte Joinville, que será publicada ao longo deste mês de março em comemoração aos 175 anos de fundação do município. As publicações serão feitas às segundas, quartas e sextas-feiras, com matérias no site e minidocumentários no YouTube e nas redes sociais.
Das origens comunitárias à tradição centenária
Fundada em 1892 por moradores que decidiram agir após um incêndio atingir uma residência da pequena vila, a corporação nasceu do senso de comunidade. Desde então, o modelo baseado na atuação voluntária atravessou gerações e se consolidou como parte do cotidiano da cidade.
"Na época, Joinville era uma vila pequena com imigrantes alemães, austríacos e suíços. Lá em 1892 eles tiveram um problema em uma casa de um deles que queimou. Foi então que perceberam que precisavam de proteção e, no dia 13 de julho de de 1892, criaram o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, que era uma corporação pequena com material primitivo para apagar incêndios. Com o passar dos anos, foram evoluindo e estamos em atividade ininterrupta desde aquela época. Nem as duas guerras mundiais interromperam os trabalhos dos bombeiros voluntários de Joinville", relembra o comandante Carlos Antonio Kelm.
Presença que vai além das emergências
Hoje, a presença dos bombeiros voluntários vai muito além das sirenes e atendimentos de emergência. Eles estão inseridos na rotina da população, seja nas ações preventivas, nos projetos sociais ou na formação de novos integrantes. A proximidade com os moradores criou um vínculo raro, em que a corporação não é vista apenas como prestadora de serviço, mas como extensão da própria comunidade.
Essa relação se reflete na participação direta da população. Centenas de voluntários atuam nas mais diversas frentes, enquanto outros contribuem de forma indireta, fortalecendo um modelo sustentado pelo engajamento coletivo. O resultado é um sistema que combina tradição, eficiência e forte identidade local.
"Hoje em dia nós temos a unidade central e temos outras sete unidades em bairros de Joinville. O serviço foi descentralizado para diminuir o tempo de resposta. O nosso objetivo é que em toda ocorrência, o tempo de resposta desde a ligação ao 193 até a chegada da equipe no local seja de seis minutos. Atualmente estamos abaixo de 10 minutos, o que é um progresso", explica Kelm.
Mesmo com o crescimento urbano e os desafios de uma cidade cada vez mais complexa, o modelo segue atual. A combinação entre voluntários e profissionais contratados garante a continuidade do atendimento, sem abrir mão da essência que marcou a fundação da corporação. Atualmente na corporação, aproximadamente 650 são voluntários e outros 150 atuam como bombeiros contratados em regime CLT.
"Não temos condições de atender a cidade somente com voluntários. Hoje nós temos cerca de 650 voluntários trabalhando em todas as unidades e cerca de 150 bombeiros contratados, que trabalham em regime CLT para manter o serviço e nunca parar o atendimento", afirma o comandante.
Formação de novas gerações
Programas como o Bombeiro Mirim ajudam a perpetuar esse legado. Ao envolver crianças e adolescentes, a corporação forma não apenas futuros voluntários, mas cidadãos conectados aos valores de solidariedade e responsabilidade social. A iniciativa também reforça o papel educativo da instituição, que ultrapassa o atendimento a emergências.
"Nós temos dois programas sociais. Um é o bombeiro mirim, que serve para crianças de 11 anos até os 17 anos. No projeto, elas aprendem a promissão do bombeiro e chegam aos 18 anos com capacidade de serem bombeiros voluntários. Também temos a banda, um programa de iniciação musical, onde a criança aprende um instrumento. Ambos projetos servem para tirar os jovens da rua e dar mais opções para eles no futuro", finaliza Kelm.
O reconhecimento nacional veio como consequência dessa trajetória. A lei que transformou Joinville na Capital Nacional dos Bombeiros Voluntários oficializou algo que já era evidente no dia a dia: a cidade construiu sua própria identidade em torno do trabalho voluntário e da cooperação.
Em Joinville, ser bombeiro voluntário não é apenas uma escolha, é parte de uma cultura coletiva que atravessa gerações. Mais do que combater incêndios ou atender ocorrências, a corporação se tornou símbolo de pertencimento, mostrando que o engajamento comunitário pode, de fato, moldar a identidade de uma cidade inteira.
A série especial Joinville 175: a gente faz história é patrocinada por: Shopping Mueller Joinville, ClipOn Filmes, Expressio Comunicação e Mondigital Marketing.
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