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JEC Futsal: Quando a inteligência vence o improviso
Enquanto no futebol o JEC se afoga, o futsal respira fundo e mostra o caminho.
Por: Gabriel Fronzi
15:10:00 - 16/03/2026
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O JEC Futsal sempre foi uma potência. Não é um time que nasceu do nada, que foi resgatado de uma lama qualquer. É um clube que conquistou títulos, que competiu no mais alto nível, que tem história e credibilidade.
Aqui está o ponto que deveria fazer qualquer dirigente de futebol - no campo - pensar. Afinal, o JEC Futsal também reduziu seus investimentos e, mesmo assim, segue brigando lá em cima. Segue vencendo e segue competindo. Sob o comando do técnico Davi Mendonça, mesmo após a eliminação na Supercopa, conquistou a Recopa Catarinense e iniciou o Campeonato Catarinense com uma vitória convincente jogando em casa.
O que torna essa história verdadeiramente interessante não é apenas o resultado, é a forma como ele foi alcançado com menos. É o processo e a metodologia. É a inteligência aplicada ao trabalho diário, mesmo com menos recursos na mesa. É a prova de que existe um caminho diferente. Um caminho que não passa pela ganância, pelo improviso ou pela ilusão de que dinheiro resolve tudo. É tudo aquilo que o futebol do JEC - no campo - esqueceu de fazer.
A inteligência contra a ganância
Davi Mendonça é um técnico de 35 anos que começou sua carreira aos 19. Bicampeão estadual com o Itaporanga em Sergipe, ele chegou ao Joinville com um conceito simples: intensidade. Não a intensidade do grito, do improviso ou da emoção desenfreada. A intensidade do trabalho, da metodologia, da inteligência aplicada ao esporte.
O que diferencia o JEC Futsal neste momento é uma decisão que, em qualquer outro contexto, seria considerada heresia. A gestão reduziu a folha salarial em relação às temporadas anteriores; gastou menos e ficou melhor. O elenco foi reformulado com jovens jogadores que não apenas aceitam, mas abraçam a filosofia de trabalho do técnico. Atletas que entendem que o coletivo, bem organizado, supera o improviso individual.
Essa é a verdade que o futebol do JEC ainda não conseguiu absorver. Enquanto o futebol gasta errado e perde, o futsal gasta menos e vence. Enquanto o futebol abdicou de processos, o futsal cultiva competência.
A virada que pouca gente quer reconhecer
O grande ponto que merece ser destacado é esse: você consegue ser competitivo com menos investimento se mudar o formato de análise. O JEC Futsal provou isso. A equipe carece de um pivô de qualidade superior, é verdade. Mas mesmo com essa lacuna, o nível de desempenho atual gera escalada, mostra progressão.
O torcedor tricolor, aquele que ainda acredita, vê no futsal o que gostaria de ver no futebol: uma gestão que pensa, um técnico que trabalha, atletas que se dedicam. Vê um caminho que, embora ainda incerto, aponta para algum lugar que não seja o abismo.
O espelho que não gostam de encarar
A questão que fica é incômoda para os dirigentes do futebol. Se o JEC Futsal consegue fazer mais com menos, por que o futebol não consegue? A resposta é simples: porque o futebol ainda vive no passado, ainda acredita que o dinheiro resolve, ainda pensa que pontos isolados são a solução. O futsal, por sua vez, entendeu que a solução é a inteligência aplicada ao trabalho diário.
Davi Mendonça não é um nome que estampa capas de revista. Não é um técnico que fez carreira em grandes clubes no Brasil. É um profissional de uma família de apaixonados pelo futsal, que começou cedo, trabalhou duro, e chegou ao Joinville com uma filosofia clara: intensidade, organização, coletivismo.
O futsal do JEC, neste momento, é mais que um time. É o início de uma resposta. A prova de que é possível fazer diferente. É o espelho que o futebol deveria encarar, mas não quer. Porque encarar esse espelho significaria admitir que os erros não foram de falta de dinheiro, mas de falta de inteligência.
NOTAS RÁPIDAS
A casa antes da bola
O novo CEO do JEC, André Gustavo, em entrevista à 89FM, fez uma declaração que deveria estar emoldurada na sala de diretoria do JEC: "Precisamos arrumar a casa para a bola conseguir entrar".
O número que assusta
André Gustavo também revelou que o JEC tem um déficit de R$ 500 mil por mês. Deixe isso ressoar por um momento. Quinhentos mil reais. Mensalmente. Isso significa que patrocínios de R$ 50 mil, por mais bem-vindos que sejam, são apenas um band-aid em uma ferida que requer cirurgia.
O vazio onde deveria haver liderança
A nova estrutura do JEC, anunciada recentemente, não contemplará um executivo de futebol. Sim, você leu corretamente. Um clube que disputa a Série D, que está em Recuperação Judicial, que tem um déficit mensal de meio milhão de reais, decidiu eliminar a posição de executivo de futebol. No lugar, virá um gerente de futebol, que ainda não está no radar como urgência.
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