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Quem leva o Oscar de Melhor Filme 2026?
Nesta edição, grandes filmes e grandes atuações estarão na disputa desta 98ª edição da premiação.
Por: Rodrigo Domingos
12:25:00 - 12/03/2026
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O Oscar 2026 acontece no próximo domingo (15), em Los Angeles, a partir das 22h. A apresentação será novamente do comediante Conan O'Brien. Nesta edição, grandes filmes e grandes atuações estarão na disputa desta 98ª edição da premiação.
Assisti a grande maioria dos 10 filmes concorrentes ao Oscar deste ano que são:
- O Agente Secreto, dirigido pelo diretor Kleber Mendonça Filho;
- Uma Batalha Após a Outra, dirigido por Paul Thomas Anderson;
- Bugonia dirigida por Yorgos Lanthimos;
- F1: O Filme, dirigido por Joseph Kosinski;
- Frankenstein, um filme de Del Toro;
- Hamnet, dirigido por Chloé Zhao, a única mulher indicada ao Oscar de Direção;
- Pecadores, dirigido por Ryan Coogler;
- Marty Supreme, dirigido por Josh Safdie;
- Valor Sentimental, um filme de filme de Joachim Trier, e;
- Sonhos de Trem, dirigido por Clint Bentley e que tem como diretor de fotografia, Adolpho Veloso, que também concorre na categoria Melhor Fotografia.
Destes 10 filmes indicados, assisti sete. Confesso que tive preguiça de assistir F1: O Filme, mesmo tendo o Brad Pitt como ator principal – aliás, o considero um dos melhores de sua geração –, mas o filme está na lista dos concorrentes deste domingo, então terei que assistir.
E com certeza, antes da premiação, assistirei Valor Sentimental, que traça a ligação devastadora e calorosa entre a vida, a arte e família. Foi um dos mais celebrados em Cannes e a performance do ator sueco Stellan Skarsgård mereceu o prêmio na categoria de Melhor Ator Coadjuvante no Globo de Ouro. O filme está em cartaz no Mubi.
E Sonhos de Trem, dirigido por Clint Bentley, que está em cartaz na Netflix e estou bem instigado para me deslumbrar, além da história, com a fotografia do brasileiro Adolpho Veloso.
Não sou nem um crítico especializado em cinema, apesar de ter estudado roteiro de cinema em Buenos Aires. Amo escrever, mas minha análise aqui é como amante da 7ª arte e também colunista de cultura.
Vamos lá! Com alguns spoilers sim e uma pitada de ufanismo, sou apaixonado pelo Brasil.
O Agente Secreto, o filme brasileiro traz à tona novamente, o apagamento de histórias, lugares e, principalmente, de pessoas de nosso país no regime militar. Invariavelmente, o filme conversa com Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e ganhador de Melhor Filme Internacional do ano passado, e com Retratos Fantasmas, filme anterior do diretor recifense Mendonça Filho.
Na cena de abertura, que descreve o Brasil de 1977, ano que nasci, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura (indicado ao prêmio de Melhor Ator) está indo para Recife (PE) em pleno Carnaval, em plena ditadura.
O filme, com uma direção de arte primorosa assinada por Thales Junqueira, que também dirigiu Bacurau e Aquarius, recria o Recife de 1977 com rigor histórico e foco na vivacidade, usando cores, texturas e suor para imergir o espectador na época. Digo que isso foi imprescindível para nós espectadores entrarmos no filme.
Os figurinos impecáveis ficaram à cargo de Rita Azevedo, parceira de longa data de Kleber. Para criar o figurino de O Agente Secreto, ela mergulhou em arquivos públicos, álbuns de família e no acervo da Casa Juisi, em São Paulo, onde parte importante da estética do filme ganhou forma.
Wagner Moura vive um professor universitário perseguido durante os anos 1970 no Brasil, uma pessoa inteligente, ufanista e que quer através da universidade federal, contribuir significativamente para o país, principalmente com pesquisas, avançadas até então para época, em parceria com outros pesquisadores estrangeiros.
O personagem vive na clandestinidade, tentando proteger seu filho enquanto foge da perseguição política durante o regime militar. Aliás, a sua relação com seu filho é apaixonante, com um final frustrante, já que os planos de se exilar do país não se cumprem. Por muito pouco, quase acreditamos no final feliz.
Palmas para a carismática dona Sebastiana, interpretada por Tânia Maria, a dona do prédio onde Marcelo mora, que precisa reter informações, mas adora uma fofoca. Vale destacar também a bela atuação de Maria Fernanda Cândido como Elza, milionária que financia a ida de pessoas perseguidas para fora do Brasil; de Gabriel Leone como um dos matadores; de Alice Carvalho, que faz a esposa de Wagner no filme e que morre logo no início da trama; e de Carlos Francisco, que faz o projecionista Seu Alexandre, pai de Alice Carvalho na trama e sogro de Wagner Moura.
A trilha sonora do filme O Agente Secreto, algo que retratarei na sequência nos outros indicados, é fundamental para a narrativa. A trilha mistura clássicos brasileiros e internacionais para criar uma atmosfera de suspense e nostalgia, destacando Waldik Soriano, Lula Côrtes e Zé Ramalho (Paêbirú), Donna Summer e Ennio Morricone. As músicas incluem frevo e brega, com destaque para "Eu Não Sou Cachorro Não" e "A Briga do Cachorro com a Onça".
O filme brasileiro "O Agente Secreto" foi indicado às principais categorias do Oscar 2026: Melhor Filme; Melhor Filme Internacional; na qual possui grandes chances e concorre com o norueguês Valor Sentimental e o selecionado da Espanha, Sirāt; Melhor Ator para Wagner Moura, que concorre com grandes também, como Michael B. Jordan de Os Pecadores, Leonardo Di Caprio por Uma Batalha Após a Outra, o polêmico da vez Timothée Chalamet com Marty Supreme e Ethan Hawke, ator que gosto muito, por Blue Moon, filme que ainda não assisti. O Agente Secreto concorre ainda com Melhor Elenco.
Na minha opinião o Prêmio de Melhor Ator irá para a impecável atuação de Michael B. Jordan de Pecadores, que já levou a estatueta de melhor ator no Actor Awards, mas gostaria muito que quem levasse o prêmio fosse Leonardo Di Caprio, pela atuação em Uma Batalha Após a Outra. Leonardo está incrível, o tema do filme é contemporâneo, político e, como muitos afirmam, para mim ele não está nada caricato.
Para mim também, quem deveria ganhar como melhor ator coadjuvante, com certeza seria Sean Penn, que entrega uma atuação poderosa como o antagonista Coronel Lockjaw, no mesmo filme.
Alguns filmes indicados deste ano, utilizaram-se do realismo fantástico em suas narrativas. O realismo fantástico (ou mágico) é um movimento artístico e literário do século XX, com grande força na América Latina, que incorpora elementos mágicos, oníricos ou sobrenaturais a um cenário realista, tratando-os como parte do cotidiano.
A narrativa mistura o real e o extraordinário, questionando a racionalidade e utilizando metáforas para crítica social, política e cultural. É o caso da perna cabeluda no O Agente Secreto, a princípio parece uma loucura, mas acreditem a história da perna realmente existiu, retratando uma lenda urbana recifense dos anos 70.
A história narra um membro decepado e peludo que ataca pessoas à noite. O longa usa a criatura para abordar o medo e a repressão da ditadura militar, foi utilizado pelos jornais, como um código para denunciar agressões policiais, especialmente contra grupos marginalizados, sem enfrentar a censura oficial.
Outro caso são os vampiros de Pecadores, utilizaram-se dessa lenda para se tratar de debates profundos, como racismo estrutural, segregação, poder, vingança e submissão.
No caso de Bugonia, filme que gostei bastante também, a utilização de um planeta extraterrestre, retratado pelo diretor, além do título que se refere a um antigo ritual grego baseado na crença de que abelhas podiam nascer da carcaça de um boi morto, simbolizando a vida surgindo da decomposição e a transformação.
O filme é um remake da comédia cult sul-coreana "Save the Green Planet!" (2003). A obra aborda paranoia, desastres ambientais, colapso climático e o poder corporativo, misturando humor ácido com suspense.
Emma Stone está incrível no papel principal, pena que concorre com outras grandes atuações. Aqui, o destaque vai para atriz irlandesa Jessie Buckley de Hamnet, já vencedora do BAFTA, Critics' Choice e SAG Awards. Vale também ressaltar a atuação de Jesse Plemons em Bugonia, creio que deveria ter sido mais valorizada, ele não teve nenhuma indicação.
Vale ressaltar que Emma Stone, caso ganhe, difícil, mas não impossível, irá ter seu terceiro Oscar de Melhor Atriz.
Pecadores é o filme com maior número de indicações, e bateu recorde de indicações de Titanic (1997), A Malvada (1950) e La La Land: Cantando Estações (2016). No total, são 16 indicações ao prêmio da Academia.
O filme merece destaque sim, tanto pela grande maioria do elenco ser negra, contabilizando também o diretor, pela ousadia da história e pela magnifica trilha sonora, com muito blues.
Vale destacar também a participação da atriz britânica Wunmi Mosaku, que vive Loki, e concorre como Melhor Atriz Coadjuvante, já sendo ganhadora no BAFTA Film Awards 2026.
A figurinista de "Pecadores", Ruth E. Carter, se torna a mulher negra mais indicada ao Oscar, agora soma cinco nomeações, ultrapassando a atriz Viola Davis na quantidade de indicações. Além de "Pecadores" ela acumula mais quatro indicações na categoria Melhor Figurino, com os filmes "Malcolm X", "Amistad", "Pantera Negra" e "Pantera Negra: Wakanda para Sempre", os dois últimos a rendendo a estatueta.
Seguindo a linha da emoção, Hamnet, de todos os filmes, é o mais emocionante, tocante e com grandes atuações. Baseada na teoria da morte do único filho homem de William Shakespeare, interpretado pelo ator Paul Mescal, que está impecável.
Hamnet morreu aos 11 anos de idade e inspirou a escrita de Hamlet. Maggie O’Farrell, responsável pelo livro que deu origem à obra e corroteirista, constrói, junto a Zhao, uma história com ares de conto de fadas, permeada pelo amor, especialmente o de Agnes, interpretada por Jessie Buckley, uma mulher que enfrentou as piores tragédias e, mesmo assim, não deixou o sentimento amargar em seu coração.
Para encerrar essa pequena análise dos indicados a Melhor Filme, o também encantador, principalmente visualmente falando, Frankenstein. Do ponto de vista formal, Frankenstein é um triunfo visual e técnico, com uma fotografia impecável, e o mesmo vale para o figurino.
A decisão de apostar em efeitos práticos dá ao filme um peso natural e físico raro no cinema contemporâneo. As próteses e a maquiagem são de um detalhismo impressionante, evocando a arte de Bernie Wrightson e as ilustrações de Gustave Doré.
Cada cicatriz conta uma história. Os cenários são construídos em escala real e Del Toro filma com lentes largas, explorando a profundidade de campo como quem observa um teatro de tragédias. A trilha sonora de Alexandre Desplat complementa esse universo com uma mistura de coro sacro e instrumentos de corda arranhados, criando um som que é ao mesmo tempo triste e ameaçador.
Tudo nesse filme respira a fusão entre o humano e o sobrenatural. Destaques aqui para a interpretação majestosa de Jacob Elordi como o monstro e da brasileira Mia Goth como Elizabeth, que poderia ter sido mais explorado, principalmente o romance dela com Frankestein. Sim, poderia. Mas não foi.
Ah, já ia me esquecendo, o que dizer de Marty Supreme?
Um filme que mistura ficção e biografia inspirada no lendário jogador de tênis de mesa Marty Reisman. Gosto muito de Timothée Chalamet, um dos melhores de sua geração, preferi ele atuando em "Um Completo Desconhecido", mas enfim.
A inspiração principal para o filme veio do livro de memórias de Reisman, The Money Player, um relato de sua vida cheia de partidas de rua, truques, apostas e jogos com propósito de sobrevivência e autoafirmação. O diretor Safdie teria conhecido a obra por sugestão da esposa e o livro abriu portas para “uma subcultura esquecida de sonhadores e hustlers em Nova York pós-guerra”.
Palmas para a trilha sonora que é incrível, o projeto é a mais recente colaboração do compositor Daniel “Oneohtrix Point Never” Lopatin com o cineasta Josh Safdie e abrange 23 faixas. Apesar da ambientação nos anos 1950, a trilha sonora de Marty Supreme é repleta de clássicos dos anos 1980 de New Order, Peter Gabriel, e o filme abre e fecha com singles clássicos do Tears For Fears.
Pontos negativos que respingam no filme: a postura do ator Timothée Chalamet, em recente entrevista para revista Variety, ao comparar o cinema independente com ópera e balé. Em um trecho resgatado de uma conversa com Matthew McConaughey, o ator afirmou que não quer "trabalhar em algo como balé ou ópera, onde é preciso dizer 'mantenham essa coisa viva' mesmo que ninguém mais se importe". A fala gerou polemica há 10 dias da premiação, em todo mundo.
Outro caso remete ao diretor do filme, Josh Safdie, acusado de maltratar uma atriz menor de idade que participou do longa “Bom Comportamento”, dirigido por ele junto ao irmão, Benny, e lançado em 2017. O sindicato dos atores de Hollywood (SAG) proíbe a participação de menores em cenas de nudez ou qualquer circunstância que prejudique “a saúde, moral ou segurança” do jovem.
Uma edição de grandes obras, atuações e técnicas, um das mais inesperados em relação a vitoriosos da história, principalmente na categoria ator coadjuvante. Torcendo aqui para Wagner Moura, o diretor Kleber Mendonça Filho e para o Brasil.
Com certeza, estarei ligadinho na TV!
* No Brasil, o evento será transmitido pelo HBO Max, TNT e Globo.
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