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Segredos e legado: os 175 anos guardados no Cemitério do Imigrante

Reportagem integra uma série especial sobre o aniversário de Joinville

Por: Rafael Moreira - Repórter

18:00:00 - 11/03/2026

Segredos e legado: os 175 anos guardados no Cemitério do Imigrante

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O Cemitério do Imigrante, em Joinville, é um dos principais marcos históricos da colonização europeia no Sul do Brasil. Mais do que um espaço de sepultamento, o local preserva a memória e também os mistérios dos primeiros imigrantes que ajudaram a fundar e desenvolver a cidade.

A reportagem sobre o Cemitério do Imigrante integra uma série especial do portal Ponto Norte Joinville, que será publicada ao longo deste mês de março em comemoração aos 175 anos de fundação do município. As publicações serão feitas às segundas, quartas e sextas-feiras, com matéria no site e minidocumentários no YouTube e nas redes sociais.

Coordenador do Arquivo Histórico, Dilney Cunha | Foto: Rafael Moreira/Ponto Norte Joinville

Criado no século XIX, mais precisamente em 1851, o Cemitério do Imigrante surgiu da necessidade de atender os primeiros colonos alemães, suíços e noruegueses que chegaram à então Colônia Dona Francisca. Nos primeiros anos da colonização, a mata fechada, as doenças tropicais e a falta de infraestrutura resultaram em altos índices de mortalidade entre os recém-chegados e, por isso, surgiu a necessidade de criar um local para sepultamentos.

"O Cemitério do Imigrante foi o segundo local de sepultamento criado na cidade. O primeiro foi aberto no Centro de Joinville, mas a região era baixa e sofria com constantes alagamentos. Foi então que se criou outro cemitério em uma colina, atualmente na Rua XV de Novembro, mais afastado da região mais populosa da cidade na época", explicou Dilney Cunha, coordenador do Arquivo Histórico de Joinville.

Inicialmente chamado apenas de Cemitério de Joinville, o espaço recebia sepultamentos independentemente de raça, origem étnica ou religião. Na época, porém, os cemitérios eram organizados por confissão religiosa. Como os espaços católicos não permitiam o sepultamento de pessoas de outras religiões, a comunidade luterana precisou manter um local próprio. Em 1871, com a abertura de um cemitério exclusivo para católicos, o antigo passou a ser conhecido como cemitério protestante.

Lápide de Frederico Bruestlein | Foto: Rafael Moreira/Ponto Norte Joinville

Patrimônio histórico

O cemitério preserva características originais do período da colonização. Muitas lápides ainda mantêm inscrições em alemão gótico e símbolos religiosos típicos do luteranismo do século XIX. Os túmulos revelam traços culturais trazidos da Europa e ajudam a contar a trajetória das famílias pioneiras.

Entre os sepultados estão agricultores, artesãos e lideranças comunitárias que participaram da formação econômica e social de Joinville. Como o francês Frederico Bruestlein, representante do príncipe François Ferdinand e da princesa Francisca do Brasil, donos da Colônia Dona Francisca, que viria a se tornar Joinville.

"Aqui temos um dos personagens mais importantes e influentes da cidade. Trata-se de Frederico Bruestlein, representante do príncipe e da princesa de Joinville, enviado pelo casal para administrar seus negócios, principalmente para vender terras. Toda a área onde hoje está o município de Joinville era, na verdade, um grande lote do casal, e Frederico foi encarregado de negociar essas terras. Ele também foi responsável por construir o casarão, que hoje é o Museu Nacional de Colonização e Imigração, e também ordenou que trouxessem palmeiras do Rio de Janeiro para serem plantadas aqui, formando hoje a nossa Rua das Palmeiras", lembrou o historiador.

Lápide de Ottokar Doerffel | Foto: Rafael Moreira/Ponto Norte Joinville

Outro que também contribuiu para a história da cidade e que está sepultado no Cemitério do Imigrante é Ottokar Doerffel. Advogado alemão, Doerffel veio para o Brasil acompanhado da esposa, Ida Günther, em 1854, no navio Florentin. Desde sua chegada à Colônia Dona Francisca, teve participação ativa. Exerceu inúmeras funções, entre elas a de tesoureiro, e, por dois anos, foi diretor da Colônia, uma espécie de prefeito.

"Ottokar Doerffel foi uma das principais lideranças do início da colonização da nossa cidade no século XIX. Ele já havia sido prefeito de uma cidade na Alemanha, mas teve que sair do país por questões políticas. Em Joinville, Ottokar Doerffel foi novamente prefeito, fundador de várias associações sociais, cônsul da Alemanha e líder da maçonaria local", contou Dilney Cunha.

Assista ao vídeo

Ao longo das décadas, o espaço se consolidou como local de memória e referência para descendentes de imigrantes. Reconhecendo sua importância histórica e cultural, o município realizou o tombamento do cemitério na década de 1960. Desde então, o local passa por ações de preservação e restauração.

"Em torno de 3,2 mil pessoas foram sepultadas no Cemitério do Imigrante. Ele foi fechado em 1913, e apenas as famílias que tinham comprado terreno ali ainda puderam realizar sepultamentos. Em 1962, ele foi tombado como patrimônio nacional, e então foi criada uma comissão para manter esse espaço. Ele ainda pertence à comunidade evangélica, mas é cuidado pela Prefeitura de Joinville, por meio da Secretaria de Turismo", disse.

Cemitério do Imigrante integra roteiros turísticos da cidade | Foto: Rafael Moreira/Ponto Norte Joinville

Espaço de memória e visitação

Atualmente, o Cemitério do Imigrante integra roteiros turísticos e educativos da cidade. Estudantes e pesquisadores visitam o espaço para compreender aspectos da colonização europeia no Sul do Brasil e a formação cultural de Joinville.

Mais do que um local de sepultamento, o cemitério se tornou símbolo da identidade joinvilense, reunindo histórias que ajudam a explicar as origens e o desenvolvimento da maior cidade de Santa Catarina.

"Esse espaço é muito importante para a nossa cidade. É um lugar de memória e história que nos mostra um pouco da ocupação do território por diferentes grupos: além dos imigrantes, também lusos-brasileiros e afrodescendentes. Por isso, também realizamos visitas guiadas e agendamentos para que escolas conheçam um pouco mais deste patrimônio, que não é só de Joinville, mas nacional, sendo um dos raros cemitérios desse tipo existentes no Brasil", finalizou Dilney Cunha.

A série especial Joinville 175: a gente faz história é patrocinada por: Shopping Mueller Joinville, ClipOn Filmes, Expressio Comunicação e Mondigital Marketing.

Foto de capa: Rafael Moreira/Ponto Norte Joinville

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