Joinville vai receber três novos centros tecnológicos voltados ao desenvolvimento de equipamentos de grande porte para o setor de óleo e gás. Com investimentos de cerca de R$ 385 milhões, as estruturas serão instaladas no Instituto Senai de Inovação por meio de uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/SC) e a Petrobras.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 6, durante evento no instituto em Joinville, com a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, do prefeito Adriano Silva e do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello.
Novo centro será voltado à manufatura avançada
Entre as estruturas previstas está o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo), com investimento estimado em R$ 283 milhões. O projeto foi selecionado em chamada pública da Petrobras realizada em nome do Consórcio Libra, formado pela estatal e pelas empresas Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC Brasil Petróleo e Gás e CNOOC Petroleum Brasil.
O novo centro será instalado em uma estrutura de aproximadamente 3,3 mil metros quadrados e contará com equipamentos inéditos no Brasil. A previsão é que a unidade entre em operação em cerca de 36 meses.
Além do Cetemo, outros dois centros tecnológicos já estão em fase de implantação: o Centro Tecnológico de Robótica e o Centro Tecnológico de Laser. Juntos, eles somam mais de R$ 102 milhões em investimentos.
Foto: André Kopsch
Estruturas devem beneficiar diferentes setores industriais
Os dois centros em implantação serão voltados ao desenvolvimento de tecnologias em manutenção aditiva a laser e robótica aplicada ao setor de óleo e gás. Apesar do foco inicial, outros segmentos industriais também devem ser beneficiados, como os setores automotivo, aeroespacial, naval, de energia, mineração e transporte.
Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a nova estrutura pode ampliar a competitividade nacional e fortalecer a cadeia metalmecânica da região.
“O Brasil passa a incorporar uma tecnologia que ainda não domina e, de imediato, Santa Catarina se beneficiará de parcerias internacionais”, afirmou.
Ele também destacou que a iniciativa pode estimular fornecedores locais. De acordo com Seleme, em um raio de 100 quilômetros de Joinville há pelo menos dez indústrias de fundição que podem fornecer peças de alto valor agregado para a Petrobras e outras empresas do setor.
Pesquisa, inovação e formação profissional
De acordo com o diretor regional do Senai/SC, Fabrízio Pereira, além da produção de componentes, os centros terão como foco principal o desenvolvimento de tecnologias e a formação de profissionais.
“O modelo de negócios prevê o uso das máquinas por empresas parceiras para a fabricação de componentes, mas a ênfase continuará nas atividades de desenvolvimento tecnológico e educação profissional”, afirmou.
Nos últimos anos, os institutos de inovação do Senai em Joinville e Florianópolis já desenvolveram equipamentos como robôs para pintura de plataformas marítimas e robôs para limpeza de dutos do pré-sal, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a segurança das operações.
Foto: André Kopsch
Investimentos seguem regras de pesquisa e desenvolvimento
Segundo representantes da Petrobras, os novos centros devem contribuir para acelerar a inovação e fortalecer a cadeia de fornecedores brasileiros.
De acordo com Cézar Siqueira, gerente geral de pesquisa, desenvolvimento e inovação para produção do Centro de Pesquisas da empresa, os investimentos ajudam a aumentar a produtividade e reduzir riscos operacionais no setor.
A iniciativa também segue a resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que estabelece regras para aplicação de recursos em projetos de pesquisa e desenvolvimento na indústria de petróleo e gás.
Equipamentos de grande porte poderão ser fabricados no local
Entre os equipamentos que poderão ser desenvolvidos no centro estão conectores para dutos do pré-sal. Esses dispositivos podem pesar cerca de 10 toneladas e ter mais de 40 polegadas de diâmetro, exigindo tecnologia avançada para garantir vedação total e evitar vazamentos no oceano.
Segundo o pesquisador-chefe dos Institutos Senai de Joinville, Luís Gonzaga Trabasso, o desenvolvimento dessas peças no Brasil pode reduzir o tempo de parada das plataformas em caso de manutenção.
Indústria naval também pode ser beneficiada
Os centros tecnológicos também podem atender demandas da indústria naval catarinense, especialmente em Itajaí, onde está em andamento a construção de quatro fragatas da Classe Tamandaré para a Marinha do Brasil.
O projeto, orçado em cerca de R$ 9 bilhões, deve gerar cerca de 2 mil empregos diretos e 6 mil indiretos durante sua execução. Segundo Seleme, a presença de estruturas como o Cetemo pode ampliar ainda mais o desenvolvimento tecnológico e industrial ligado ao setor naval no estado.
Foto de capa: André Kopsch



