#coluna
Entre o analógico e o algoritmo
A difícil missão da mãe que cresceu off-line criar um filho digital
Por: Renata Seliprim
11:00:00 - 02/03/2026
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Eu costumo dizer que minha vida se divide em dois tempos: antes e depois do Téo.
Antes, o trabalho era o centro do meu mundo.
Depois… tudo mudou de lugar sem pedir licença.
Não foi uma virada brusca.
Foi mais como a maré, quando a gente percebe, a água já chegou nos pés.
Tive meu filho depois dos 30, já com algumas certezas (ou pelo menos achando que tinha). E foi ali que descobri uma das maiores verdades da vida adulta: a maternidade não pede passagem, ela reorganiza a casa inteira por dentro.
Virei outra pessoa.
E, curiosamente, mais eu mesma.
Eu nasci nos anos 80.
Sou da última geração que:
- Esperava a foto revelar;
- Rebobinava fita cassete com caneta;
- E combinava encontro sem mandar localização em tempo real.
Minha infância foi barulho de rua, joelho ralado e mãe gritando da janela.
A do Téo… é senha, tela e fone sem fio.
E é aqui que mora o nosso maior desafio.
Criar um adolescente hoje não é só sobre hormônios (que já dão trabalho suficiente, diga-se de passagem). É sobre educar alguém que nasceu num mundo que muda mais rápido do que a gente consegue acompanhar.
O Téo não conheceu o silêncio da internet discada.
Não sabe o que é esperar o horário do desenho.
Nunca precisou decorar telefone de ninguém.
Ele é, oficialmente, da primeira geração 100% digital.
E eu?
Eu sou a mãe analógica tentando educar no Wi-Fi.
A verdade é que, apesar de eu me achar uma mãe bem massa (e ele ser um filho maravilhoso, mesmo), tem dias que criar nessa nova era exige um tipo de presença que ninguém ensinou pra nossa geração.
Porque antes o perigo era atravessar a rua correndo.
Hoje… ele cabe dentro do bolso.
Antes a gente mandava “volta antes de escurecer”.
Hoje a gente pensa:
"Será que eu tô ensinando ele a navegar nesse mundo todo?"
Mas no meio de todas as diferenças, tem uma coisa que continua exatamente igual:
Adolescente ainda precisa de colo.
Mesmo quando diz que não.
Ainda precisa de limite.
Mesmo quando revira os olhos.
E ainda precisa saber que tem alguém ali… firme… por perto… sem soltar a mão.
Criar um filho hoje é viver nesse equilíbrio bonito entre:
- Permitir;
- Orientar;
- Confiar;
- E, às vezes, respirar fundo e soltar devagar.
Eu não sou a mesma mulher de antes da maternidade.
Meu trabalho já não ocupa o mesmo lugar.
Minha pressa diminuiu.
Mas minha presença… essa cresceu.
No fim das contas, talvez a gente não esteja criando filhos para o mundo que existe hoje.
A gente está criando filhos para um mundo que ainda nem chegou.
E, bem de boa?
Seguimos aprendendo juntos.
Um passo off-line.
Outro on-line.
Mas sempre… lado a lado.
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