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O Norte Catarinense e o Novo Arranjo Tributário Nacional
Reforma tributária, economia de serviços e a necessidade de equilibrar a matriz produtiva regional
Por: Marcelo Campos
17:41:00 - 27/02/2026
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O Brasil atravessa uma das mais profundas reconfigurações fiscais de sua história recente. A reforma tributária, ao consolidar a tributação sobre o consumo no destino, altera a lógica de arrecadação e, consequentemente, a própria dinâmica de competitividade entre os territórios.
Essa mudança não é apenas técnica. É estrutural. E ela coloca o Norte catarinense diante de uma oportunidade estratégica.
Nossa região construiu sua força sobre bases sólidas: indústria diversificada, logística eficiente, densidade empresarial e protagonismo portuário. Em São Francisco do Sul, por exemplo, o complexo portuário consolidou-se como eixo relevante da economia estadual. Em Joinville, a robustez industrial e o dinamismo do setor de serviços demonstram maturidade econômica regional.
Esses pilares permanecem fundamentais. Contudo, o novo arranjo tributário valoriza cada vez mais o consumo efetivamente realizado no território. Serviços, comércio, hospitalidade, eventos e experiências passam a exercer influência direta sobre a sustentabilidade fiscal dos municípios.
É nesse ponto que a economia do turismo assume papel estratégico.
O Norte catarinense reúne ativos reais e competitivos. São Francisco do Sul combina patrimônio histórico singular, identidade marítima e a riqueza ambiental da Baía da Babitonga, além de equipamentos culturais de projeção nacional, como o Museu Nacional do Mar, em processo de reforma.
Joinville, por sua vez, demonstra a força do turismo de eventos com iniciativas consolidadas, como o Festival de Dança de Joinville, que movimenta ampla cadeia de serviços.
Quando estruturado com planejamento, o turismo amplia permanência, eleva gasto médio, dinamiza comércio e fortalece a economia de serviços. Em um modelo tributário orientado ao consumo, isso representa geração distribuída de receita e maior estabilidade arrecadatória.
Não se trata de substituir a indústria ou relativizar o papel do porto. Trata-se de maturidade econômica. Regiões resilientes são aquelas que equilibram sua matriz produtiva, combinando produção, logística e serviços de forma complementar.
Nesse contexto, as entidades empresariais assumem papel decisivo. Cabe ao setor produtivo estimular integração regional, qualificação profissional, fortalecimento da economia de serviços e visão estratégica de longo prazo. A articulação entre poder público e iniciativa privada será determinante para transformar potencial em política estruturada de desenvolvimento.
A ACISFS – Associação Empresarial de São Francisco do Sul entende que o novo cenário tributário exige protagonismo, planejamento e cooperação regional. A reforma abre uma janela histórica para consolidar uma matriz econômica mais equilibrada, menos vulnerável a oscilações setoriais e mais alinhada à lógica do consumo no destino.
O Norte catarinense possui infraestrutura, renda, capacidade empresarial e ativos turísticos consistentes.
Se houver integração regional, qualificação dos serviços e estratégia de longo prazo, essa reconfiguração fiscal poderá não apenas preservar nossa competitividade, mas ampliá-la.
O novo arranjo tributário está redesenhando incentivos.
Cabe a nós transformar essa transição em reposicionamento estratégico. E fazer do Norte catarinense uma referência de desenvolvimento equilibrado, sustentável e preparado para o próximo ciclo econômico.
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