#coluna

JEC 50 anos: Crônica de uma falência anunciada

Rebaixamento é só a febre de um corpo doente. Gestões temerárias e desconexão com a cidade levam o clube à pior crise de sua história

Por: Gabriel Fronzi

12:45:00 - 23/02/2026

JEC 50 anos: Crônica de uma falência anunciada

Compartilhe:

O rebaixamento do Joinville Esporte Clube para a Série B do Campeonato Catarinense, confirmado na última sexta-feira, é um golpe duro, mas não é a doença. É apenas o sintoma mais visível e doloroso de uma enfermidade profunda que consome o clube há pelo menos uma década: a falência institucional. O JEC, no ano de seu cinquentenário, vive a página mais vergonhosa de sua rica história.

A queda não é um fato isolado. Ela é o resultado direto de uma sequência de gestões temerárias, planejamento inexistente e uma assustadora rotina de insucessos. A crise atual, marcada por ações trabalhistas, salários atrasados e até o corte de energia no CT, não nasceu ontem. Ela foi cultivada ano após ano, decisão após decisão, transformando um dos maiores clubes de Santa Catarina em uma entidade com a credibilidade e a imagem destroçadas.

O estopim de uma crise sem fim

A situação chegou a um ponto insustentável, culminando no pedido de investigação administrativa contra o presidente Darthanhan de Oliveira, protocolado pelo Conselho Deliberativo. A diretoria tem um prazo para apresentar sua defesa, e o processo pode levar a uma Assembleia Geral de sócios com poder para decretar o impeachment. Contudo, focar apenas na saída do presidente é enxergar o problema de forma superficial.

A troca de comando, embora provável e necessária, não resolverá a questão central. O JEC está falido como instituição. A saída de Darthanhan será, na melhor das hipóteses, o fim de um capítulo, não do livro de terror que se tornou a realidade tricolor. O desafio é muito maior do que simplesmente mudar o nome no topo da hierarquia.

Foto: Divulgação/ JEC

Um futuro insustentável e a única saída

O cenário para 2027 é desolador. Com a disputa da Série B estadual, a arrecadação do clube despencará drasticamente. Como o JEC honrará seus compromissos, incluindo as parcelas crescentes da Recuperação Judicial, que já ultrapassam os R$ 100 mil mensais? O risco de uma falência decretada pela justiça por descumprimento do acordo é real e iminente.

Essa entidade não se salvará sozinha. A solução não virá de dentro de seus muros carcomidos pela crise. A única esperança reside em uma intervenção direta e corajosa dos grandes empresários da cidade. É preciso que a força econômica de Joinville abrace o clube como um patrimônio a ser resgatado, não como um negócio falido. Somente um choque de gestão, liderado por quem entende de reestruturação e tem poder de investimento, pode tirar o JEC do abismo. Caso contrário, os 50 anos do clube não serão lembrados por celebrações, mas como o marco do início do seu fim.

Foto de Capa: Jery de Souza/ Divulgação

Galeria de Imagens:

  • Nenhum conteúdo encontrado

#Veja também

Copyright © 2026 Ponto Norte Notícias

Desenvolvido por

Cayman Sistemas
Cookies personalizados

Necessários (2)

Cookies necessários são essenciais para o funcionamento do site, sem eles o site não funcionaria adequadamente. (Ex. acesso a áreas seguras do site, segurança, legislação)

 
Gerenciador de cookies
www.pontonortejoinville.com.br
 
Marketing (2)

Cookies de marketing, ou propaganda rastreiam a navegação dos visitantes e coletam dados a fim de que a empresa possa criar anúncios mais relevantes, de acordo com tal comportamento.

 
Facebook Pixel
DoubleClick
 
Estatísticas (1)

Cookies de estatísticas, ou analytics traduzem as interações dos visitantes em relatórios detalhados de comportamento, de maneira anonimizada.

 
Google Analytics
 

Aviso de cookies

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Para mais informações sobre quais tipos de cookies você pode encontrar nesse site, acesse "Definições de cookies". Ao clicar em "Aceitar todos os cookies", você aceita o uso dos cookies desse site. Política de Privacidade.