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As exposições em cartaz na cidade de Joinville
A coluna desta quinta-feira, destaca algumas exposições que estão em cartaz e recém estrearam na cidade
Por: Rodrigo Domingos
10:00:00 - 05/02/2026
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A coluna desta quinta-feira, destaca algumas exposições que estão em cartaz e recém estrearam em Joinville.
Estreou no final de janeiro, e segue até o dia 27 de fevereiro, sexta-feira, na Galeria de Arte Victor Kursancew, localizada na Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, a exposição “Petroliferação: do refinado ao bruto – parte 002”, do artista visual Motta, com curadoria de Kethlen Kohl. O artista apresenta um novo desdobramento do processo artístico do artista visual Motta, aprofundando uma reflexão crítica sobre as relações entre petróleo, violência, consumo e dominação política no mundo contemporâneo.
Motta
A mostra dá continuidade à primeira parte do projeto, exibida no Museu de Arte de Joinville em 2025, e propõe ao público uma experiência imersiva em torno das engrenagens que sustentam a exploração de corpos, territórios e imaginários.
Na minha opinião, Motta é uma das grandes revelações dos últimos anos, na arte contemporânea de Joinville, seu trabalho é visceral, que nos faz pensar, o artista não tem medo de julgamentos e nem de mostrar seu posicionamento diante de assuntos polêmicos e cotidianos. Seu processo artístico parte da coleta e ressignificação de materiais ordinários, que passam a operar como signos críticos de uma realidade marcada pela desigualdade e pela violência estrutural.
Utilizando objetos feitos de plástico, material derivado do petróleo e onipresente no cotidiano, Motta transforma resíduos do sistema em dispositivos simbólicos, satíricos e combativos. As obras articulam palavras moldadas em plástico, instrumentos do trabalho cotidiano e objetos comuns que funcionam como vestígios de existências frequentemente invisibilizadas.
Exposição "Petroliferação: do refinado ao bruto – parte 002"
Outro eixo central da exposição é a crítica à naturalização da violência e à sua incorporação precoce no imaginário infantil, visível em brinquedos que simulam armas, guerras e domínios. Mais do que um conjunto de obras, a exposição se apresenta como um gesto político e poético que interpela o presente, convidando o público a confrontar sua própria responsabilidade diante da barbárie contemporânea.
Estreada no ano passado e prorrogada até o dia 13 de fevereiro, sexta-feira, a artista visual e diretora do curso de Artes Visuais da Univille, apresenta ao público na Galeria de Arte do Sesc Joinville, trabalhos que revisitam a mostra enSIMESMAmentos, aprovada pelo Sesc Circuito Galerias, e realizada nas unidades de Itajaí e de Jaraguá do do Sul, respectivamente. Quatro anos depois da aprovação da exposição pelo Sesc, ela se expande com obras da série desLEMBRANÇAS e Subsolo. A exposição conta com a curadoria de Nadja Lamas.
Os trabalhos de enSIMESMAmentos nasceram das vivências no contexto da pandemia, de um exercício profundo de descoberta dos espaços e conexão com a sua casa de então e seus arredores como um lugar singular. A identidade que atribuí a esses espaços, que àquele momento segundo a artista, sentia como se ainda não fosses seus, foi fruto de um intenso processo de ensimesmamento e de experiência do tempo presente. E foi do exercício de transformar aquele local em um lugar seu, que os trabalhos da proposta submetida ao Sesc foram produzidos.
Embora a pandemia tenha passado e, desde então, Alena tenha mudado de casa por duas vezes, a conexão com aquele primeiro lugar se revelou indissolúvel, ele permanece vívido nela por muito tempo, e reverberou em sua produção dando forma à série desLEMBRANCAS. Através da pintura e da gravura, explorou a persistência da memória, onde o prefixo "des" não denota apenas "separação" ou "apagamento", mas também "intensidade" e "reforço" das lembranças que se recusam a desaparecer, mas assumem novos significados.
Exposição "enSIMESMAmentos"
Outra exposição que segue em cartaz em Joinville, é a mostra “Cidade em Processo”, com curadoria de Katiana Machado. Até o dia 21 de março, sábado, o público poderá apreciar obras criadas em três residências artísticas do projeto Arte e a Cidade. São trabalhos em pintura, escultura e videoarte, evidenciando a criação como percurso: experimentação, troca, investigação de materiais e construção coletiva. As obras foram produzidas durante um período intensivo de imersão, em encontros com artistas-orientadores e acompanhamento curatorial.
Patrocinado pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (SIMDEC), “Cidade em Processo” coloca em diálogo a produção contemporânea e a memória industrial de Joinville, entendida não como ilustração temática, mas como contexto sensível: texturas, gestos, ritmos de trabalho e transformação da matéria atravessam os trabalhos expostos.
Além da visitação, o público poderá acessar registros audiovisuais realizados durante as residências, aproximando-se do processo criativo e das vivências dos participantes. Participam da mostra Ricardo Kolb, Pita Camargo, Tirotti, Agostinho Rosa, Alceu Bett, Ane Winter, Denise Schlickmann, Evelin Katiane Izauro,. Fabiana Castegnaro, Gabriela Serpa Rodrigues, Geisiani Bontorin (GBont), Jean Aurélio Nascimento Borges, Joel Gehlen,Juliane da Silva, Luan Kalil Moraes, Marcia Lepage, Maria Schulz, Rafa Lemosórz, Renata Lepage, Ricardo do Rosário, Ricardo Kolb, Sabrina da Silva Alves (Sabrina Maru), Smekatz (Jean Smekatz), Thiago Borges Mendes e Viviane Czarnobay.
Artistas da exposição “Cidade em Processo”
Para encerrar este super roteiro de arte, estreia no sábado (7), e segue em cartaz até o dia 7 de março, sábado, no Instituto Internacional Juarez Machado, a exposição de fotografias: “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi”, da artista Annete Owatari, com curadoria de Lucila Horn. A exposição é um convite íntimo e poético à contemplação das sutilezas de um dos mais emblemáticos hanamachis (tradicionais distritos de gueixas) da cidade de Kyoto, no Japão.
Annete Owatari, neta de imigrantes japoneses é natural de Florianópolis, iniciou sua jornada na fotografia em 2009 no Japão. Sua conexão com suas raízes culturais e o fascínio pelo efêmero a levaram a eleger o país de seus ancestrais como tema central de sua produção fotográfica.
Com uma abordagem poética e autoral, suas imagens dialogam com o tempo, as tradições e a essência da cultura japonesa. Através das lentes de sua câmera, a fotógrafa resgata o que é efêmero e torna-o eterno, desafiando a percepção de que o que não pode ser tocado ou retido no presente é irrelevante.
O trabalho da artista traz à tona a beleza de uma cultura com a sensibilidade que ressoa além do contexto local, tocando questões universais sobre a preservação da memória, o impacto do tempo e o eterno diálogo entre o passado e o presente. Sua sensibilidade é reconhecida em exposições, prêmios e seleções de festivais importantes no Brasil.
A exposição propõe um mergulho delicado em um universo onde estética, gesto e silêncio coexistem em permanente estado de transitoriedade. Cada imagem apresentada é como um sopro efêmero: um instante que se esvai, mas deixa sua marca. As figuras das gueixas surgem de forma etérea e enigmática, reveladas em fragmentos cuidadosamente compostos. Há nelas uma sensação constante de proximidade, quase toque que aproxima o olhar do espectador de uma beleza sutil, contida e profundamente simbólica.
Neste percurso visual, o tempo parece se dissolver. O que se revela também se oculta. Detalhes minuciosos gestos contidos, olhares oblíquos, movimentos graciosos, lábios intensamente rubros tornam- se protagonistas, carregando camadas de sofisticação, tradição e emoção. Cada fragmento visual oferece um vislumbre íntimo e misterioso do coração pulsante de Gion, onde até o mais sutil dos gestos possui um significado profundo.
Os detalhes são o eixo central da narrativa visual: cada minúcia é orquestrada com precisão para transmitir a densidade emocional de momentos aparentemente fugazes, mas carregados de memória e presença.
Uma das fotografias da exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi”
Complementando as imagens, a exposição é acompanhada por textos poéticos inspirados na estrutura dos haicais (tradicionais poemas japoneses) que ampliam a experiência sensorial. Com simplicidade e profundidade, palavra e imagem dialogam entre si, criando uma atmosfera de contemplação e silêncio, onde o olhar é convidado a desacelerar.
Até o fechamento da coluna, não recebemos o título e detalhes sobre a exposição que estreia o ano de 2026 da Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ), mas segundo os curadores Amanda Doudt e Pedro Neto, ela já tem data para estrear, será no dia 27 de fevereiro, breve trago mais detalhes.
Como vocês puderam perceber, Joinville respira arte, e digo que é o ano todo, a cidade é um celeiro de artistas, tanto da nova geração com já consolidados. As exposições citadas aqui, na grande maioria são com entradas gratuitas, é só fazer seu roteiro e se encantar. Até a próxima.
Mais informações:
Exposição: Petroliferação: do refinado ao bruto – parte 002
Artista: Motta
Curadoria: Kethlen Kohl
Local: Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew. R. Dona Francisca, 800 - Saguaçu,
Joinville - SC
Período expositivo: até 27/02/202
Visitação: segunda a sexta-feira, das 8h às 20h
Classificação indicativa: Livre
Entrada: gratuita
Instagram: @motta.arte @kethlenkoh @amigosdacasadacultura
Exposição: enSIMESMAmentos
Artista: Alena Marmo
Curadoria: Nadja lamas
Local: Galeria de Arte do Sesc Joinville - Rua Itaiópolis, 470 - América,
Período expositivo: até 17/02/2026
Visitação: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30
Classificação indicativa: Livre
Entrada: gratuita
Instagram: @alenamarmo @nadjalamas @sesc_sc
Exposição: “Cidade em Processo”
Artista: exposição coletiva
Curadoria: Katiana Machado
Local: Galeria 33 - Galeria 33, rua Bento Gonçalves, 33, Glória
Período expositivo: até 21/03/2026
Visitação: de segunda a sexta, das 10h às 18h
Classificação indicativa: Livre
Entrada: gratuita
Instagram: @_galeria33 @katiana1312
Site do projeto: https://www.galeria33.com/cidadeemprocesso
Exposição: “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi”
Artista: Annete Owatari
Curadoria: Lucila Horn
Local: Instituto Internacional Juarez Machado - Rua Lages, 994 - América
Período expositivo: até 7/03/2026
Visitação: terça a sábado, das 9h às 18h
Classificação indicativa: Livre
Entrada: R$10,00 (inteira)
Instagram: @anneteowatarifotografia @lucilahorn @institutojuarezmachado
Galeria de Imagens:
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