#coluna
O dilema de trabalhar por amor
Há uma diferença enorme entre trabalhar com o que se ama aos 20 e aos 40+
Por: Renata Seliprim
14:20:00 - 26/01/2026
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Há uma diferença enorme entre trabalhar com o que se ama aos 20 e poucos anos e aos 40+. No início da carreira você topa qualquer coisa: mudar de cidade, de estado, de país. Enfrenta saudade, distância, falta de tempo para quem você ama e para você mesmo.
Eu sei! Aos 45 anos eu sei disso!
Eu já enfrentei a loucura de uma redação jornalística, sem fim de semana, sem feriado, sem folga.
Eu já vivi o jornalismo que tanto amei.
A minha era de televisão foi a última em que só ligando a telinha ficaríamos informados. A chegada da internet mudou e impactou tudo, inclusive o jornalismo. Foi a queda do romantismo da redação. E eu precisei mudar junto, mesmo quando doeu.
Amar uma profissão não significa congelar ela no tempo. Talvez você já tenha trabalhado só pelo dinheiro. Afinal, todo mundo tem boletos, responsabilidade, precisa sobreviver. Dinheiro não mata sonhos, a falta dele sim.
Aos 20 isso é aprendizado, aos 40 é cansaço. E com o passar do tempo, o amor pelo trabalho muda de significado. Ele passa de urgência para maturidade. Você pode continuar amando o que faz, mas não pode sofrer por isso. Pode continuar trabalhando com propósito e isso não significa aceitar exploração.
Com o tempo, o amor pelo trabalho também amadurece. Essa semana eu conversava com a minha irmã que foi mãe jovem e só entrou para o mercado de trabalho aos 30+. Claro que o pique já não é mais o mesmo.
Eu sei que a vontade de jogar tudo para o alto é grande e que essas perguntas passam todos os dias pela nossa cabeça:
- Como equilibrar prazer e sustento?
- Como não perder a essência e ainda pagar as contas?
- Como me reinventar sem trair quem eu sou?
Talvez não haja resposta para nada disso, mas existe percurso. Você pode:
- Reconhecer que ainda não pode escolher.
- Validar que ama o que faz, mas está cansado demais para continuar.
- Decidir pela mudança e acolher sua vontade no meio dessa transição.
- Nem todo sonho cabe no mesmo formato, mas pode caber na mesma vida.
Aos quase 45 anos, eu escrevo de um lugar diferente daquele que me formou. Já precisei escolher trabalhos pelo dinheiro, já romantizei profissão, já me decepcionei, já me adaptei.
Eu amo juntar letrinhas e escrevo desde sempre. Mas depois de ter vivido redações cheias, prazos impossíveis e aquela sensação de que contar histórias era quase um vício, essa coluna nasce de um novo lugar. Não! Não é do fim! É do meio do caminho. Entre o que eu amo, o que mudou e o que ainda preciso sustentar.
Escrevo essa coluna da praia onde moro, deitada na rede. Eu escrevo do lugar de quem já sonhou, já se adaptou e ainda acredita — mas sem ingenuidade.
Isso não é fuga! Isso é evolução!
Eu não abandonei o jornalismo.
Eu abandonei um modelo que me consumia.
Eu não fiquei menos profissional.
Eu fiquei mais inteira.
Trabalhar com o que a gente ama não é um ponto de chegada. É um ajuste constante entre desejo, realidade e maturidade.
Sucesso não é só chegar, é permanecer bem. Portanto, jamais desista de fazer aquilo que você mais ama.
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